[Lançamento] Com um pé em 2018, Pessoa Que Voa lança coletânea

As vezes como editor do Hits Perdidos me pego pensando sobre o porquê de ter criado o site. Fim de ano fazemos aquele balanço das coisas e ficamos (ainda) mais emotivos, é normal. Daí que chegamos ao dia 12 de Dezembro, uma data muito simbólica pois estamos em 2017 mas praticamente em seus últimos suspiros.

Foi neste ano que ótimos artistas que já faziam um trabalho de resistência individualmente decidiram somar forças para irem contra a corrente do que não achavam a maneira certa de agir. Jovens que tem ido atrás de seus sonhos para conseguir voar mais alto.

Não é a toa que o nome dado ao selo é justamente Pessoa que Voa. Em tempos onde a maioria procura por um refrão ou alguns hits, os artistas deste coletivo buscam ter como estética a preocupação com a mensagem. Sim, as letras são em suma o maior legado deles.

A afirmação da estética e a vontade de transmitir esse sentimento que fazem com que eles mereçam ter mais alcance. A interpretação pode ser feita de diversas formas mas o que não pode-se negar é a paixão que eles tem ao abrir seus universos particulares.

Matheus Antônio, mais conhecido como Theuzitz, por exemplo consegue imprimir sua frustração com as dificuldades do dia-a-dia em reflexões extremamente necessárias para os dias de hoje. Desde que ouvi “Ninguém Se Importa” que senti a força de suas composições. Após isso veio o disco e isso vem sendo construído de maneira bastante sólida. A construção é o dia-a-dia, é a troca de informação com músicos, amigos, vivências e querer olhar além das mediocridades cotidianas. Theuzitz sabe disso e por isso está a frente de muitos compositores de sua geração.

Vinícius Mendes também teve um ano transformador dentro de seu campo artístico. Após seu profundo – e triste – debut com uma carga emocional densa ele agora curado de sua tempestade particular mostra em seus lançamentos outra perspectiva em suas composições. Mais maduro ele vem se consolidando como alguém que devemos ouvir com atenção o que tem a dizer.

LVCASU que já tinha em 2016 lançado um material interessante chega neste Dezembro com um single que aponta um novo norte em sua carreira. O single “Velvia” disponibilizado a alguns dias – e na coletânea que vamos falar hoje – mostra um novo marco em sua estética sonora e abre alas para novos voos em 2018.


PESSOA


Outros artistas nos últimos meses tem lançado material pelo selo paulista e por mais que não tenhamos tempo de resenhar todos os discos que gostaríamos nos alegra mostrar que temos muito para divulgar sem perder a qualidade.

Marchioretto e Quasar por exemplo me chamaram bastante a atenção e tem rolado direto na programação do Dezgovernadoz na Mutante Radio (que nesta semana chega ao programa de número 400 e com eles no SET).


400


Nada é por acaso, isso é trabalho. Por mais que a perspectiva louca do mercado fale que um disco onde o artista martelou, pincelou, se “estrupiou”, sofreu, resistiu em questão de 3/4 meses se torne algo “velho”. Não é assim que a vida funciona.

Quando digo isso é para mostrar como um arranjo ou letra pensadas tem um poder de transformação muito além de uma lista de melhores do ano. Inclusive não gosto delas, elas não servem mais do que um tapinha nas costas. O verdadeiro reconhecimento é de quem se faz presente. Quem está lá nos shows e não interessa se está falando com 15 pessoas ou 7000 em uma arena. O que os artistas deveriam se importar mais é como isso afeta a vida daqueles que lhe dão espaço.

Alguns podem encarar sua arte como entretenimento e tudo bem. Alguns querem conversar e entender aqueles quatro minutos e cinquenta e seis segundos que você abre um portal da sua vida, e tudo bem também. Alguns só querem saber da harmonia da sequência daqueles acordes. E repito: e tudo bem também.

Mas o fato de dentre 5000 opções do que fazer a pessoa reservar aquele tempo para te ouvir é realmente algo gratificante. Tudo é efêmero mas o sentimento que ouvinte e artista compartilham naqueles singelos momentos, estes podem sim mudar destinos. Essa troca que nos amadurece. É isto que sinto ao ouvir o trabalho destes artistas e sei que eles estão suando e indo ao seu limite para nos entregar aquelas verdades presas em seus peitos. Talvez seja por isso que lemos um livro, ouvimos a canções, assistimos um filme ou vamos a uma peça de teatro: tentar exorcizar aqueles demônios e respostas que não temos.

Alguns podem tentar rotular tudo isso como rock triste. Mas não é sobre isso. É sobre seres humanos, é sobre respiros ofegantes, é sobre verdades únicas, novos tempos e superação.

Daí que neste 12 de Dezembro recebo uma mensagem do bandcamp que a MIXTAPE Diários de Bordo vol. 1 está no ar. Largo tudo que estou fazendo porque estes versos me interessam demais, porque a perspectiva deles tem me ajudado a atravessar uma série de situações. Porque eu me lembro porque comecei a escrever, porque talvez vocês devessem ouvir o que eles tem a dizer. Porque a música importa. E não importa onde, como, por quem ela é feita e sim em como ela bate em você.

Nunca julgue um livro por sua capa. Dê uma chance ao desconhecido, este é o espírito do Hits Perdidos e enquanto ele existir vai ser isso. Resistir, acreditar que tem gente incrível que merece nem que seja aqueles 20 minutos de sua leitura. Ouça com atenção, debata sobre, se revire e pense. Pensar é tão raro no mundo de hoje, as pessoas parecem só querer brigar ou se aproveitar do brilho alheio. Seguir na contramão de tudo isso é uma forma de dizer não para tudo de errado que vemos – e que por muitas vezes nos mantemos em silêncio.

Não farei uma resenha faixa-a-faixa deste disco porque qualquer interpretação talvez faça vocês perderem essa oportunidade de dar a devida importância a fechamento do primeiro ano do selo. Tem muita verdade ali, tem artistas que estão debutando, tem gente que em 2018 vai nos trazer belos EP’s – e discos – e quero que este seja só o ponto de partida para tudo isso.



Diários de Bordo vol. 1 é a primeira mixtape colaborativa do selo independente paulista Pessoa que Voa. A coletânea conta com 12 faixas inéditas. Com estreias no casting de Yanngo e Afago. Além de ter canções de Theuzitz, LVCASU, Vinícius Mendes, Santos, Moblins, eliminadorzinho, Afago, pelocurto, Miojo Cru, Quasar e Calvin Voichicoski.

A direção de arte do projeto é assinada por Locarina (Carolina Dantas), e reforça ainda mais o sentido de unidade e a missão do selo: usar da capacidade transportadora e transformadora da arte para nos sensibilizar num mundo cada vez mais combativo e ameaçador.


PEE

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