A energia sexual e os hormônios á flor da pele do debut do Cigarettes After Sex

As vezes é muito louco como certas canções te impactam de uma forma que você começa a escrever e quando viu está apostando em uma banda em que “pouca gente conhece ou ouviu falar”. Certas vezes esse “tiro no escuro” ganha relevância com o tempo e isso claramente aconteceu em dois textos bastante lidos no Hits Perdidos.

SM
Sheer Mag

Para mim é certamente “muito louco” ter detectado os punks da Sheer Mag lá em novembro de 2015 e trazido para os leitores do Hits. E hoje em dia poder ligar o rádio no programa do Tatola (da rádio rock – 89FM) e estar tocando algum single mais recente.

Na época era uma banda alternativa que flertava com Fleetwood Mac, Led Zeppelin e o punk rock de uma maneira que me agradou por sair daquele miolo comum de ignorar outros “hinos” daquela década como referência.

No dia 30/06 eles lançaram um novo single “Suffer Me” e a cada vez mais estou convencido de que foi uma senhora aposta. É o terceiro a ser lançado do disco Need To Feel Your Love que sai agora na sexta-feira (14/07). Agora é aguardar pelo aguardado álbum que para quem pôde ouvir antes diz que está incrível. Para mim isto não será nenhuma surpresa.



Mas a banda que me pegou de surpresa por ter tido um número absurdo de views mesmo com a frágil divulgação que fazia na época com certeza foi o Cigarettes After Sex.

Realmente foi um texto divertido em que eu tentei traduzir a banda a partir de comentários de novos fãs tendo suas “primeiras reações” ao ouvir o som e claro as associações são hilárias.


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Cigarettes After Sex de El Paso (Texas) para o youtube.

A resenha foi escrita dessa forma justamente pela maneira que conheci a banda. Não foi por uma matéria do Stereogram ou uma resenha robusta da Pitchfork, muito menos por meio de uma dica de algum amigo “manjador dos paranauês”.

Era dezembro de 2015 quando eu estava procurando por recomendações do youtube e por algum motivo que não sei dizer o algoritmo do youtube deixou em evidência três faixas em meu feed de “recomendados”. Sem mais nada para fazer naquele dia passei a tarde ouvindo e tentando entender as referências.

O que me chocou justamente um fato: soar um material com cara de antigo ao mesmo tempo que conseguia captar fãs de Lana Del Rey e Coldplay. Quando por muitas vezes o som lembra muito mais o shoegaze e o pós punk oitentista. Na mesma época conheci uma outra banda o Eagulls, que pouco tempo depois lançou um senhor disco mas que nunca saiu do cenário indie, o mesmo ocorreu com o Cheatahs.

O Cigarettes After Sex até chegou a lançar material pós 2015 porém foi agora em junho de 2017 que a crítica musical deu seu devido – e merecido – crédito ao trabalho dos caras. E claro que isso veio através de um selo bacana e uma boa assessoria de imprensa.

Enfim o primeiro disco “oficial” de uma banda que já tava nesse corre lá em 2008, tendo lançado seu primeiro EP em 2012. Eles assinaram com o selo Partisan Records que também trabalha com bandas que você precisa conhecer como The Black Angels, Baby In Vain, Eagulls, Deer Tick, Dilly Dally, The Amazing, Violents e já teve em seu casting artistas como The Wytches.

E talvez esse seja um excelente ponto de partida para começar a falar sobre este álbum que mal conheço e já simpatizo. O nome não foi lá muito criativo, Cigarettes After Sex, para início de conversa mas isso é um mero detalhe. Talvez pelo mega engajamento do nome da banda nas redes sociais tenha sido uma boa cartada.

Mas o que me inquietava mesmo é se tornar um fenômeno pop em tão pouco tempo. Pois cair no gosto da massa é um exercício constante, ainda mais fazendo som com influências tão marcantes.


CAPA
A capa minimalista diz muito sobre o disco de estreia da banda.

O primeiro single, “K”, lançado ainda no fim de 2016 já explica muita coisa. Tem uma malícia e um apelo pop que justificam o hype de cara. Está longe de ser uma faixa inocente, muito pelo contrário, um fã de Interpol, The Kills, Mac Demarco, Lorde ou Lana Del Rey consegue captar o que se passa e talvez esse seja o segredo da popularidade instantânea.

Mais do que isso é uma música ardente, sobre sexo, paixão, tudo junto e misturado. Uma make out song de fato e isso consegue agradar dos indies que frequentavam a Funhouse para Transar aos ouvintes de FM. É a carta de entrada com flerte, garrafa de vinho sendo aberta, camisa se desabotoando, sutiã caindo no chão e o começo das preliminares. Aquele clima de sexo casual logo no primeiro encontro, o prazer pelo desconhecido.



A segunda faixa do álbum também foi lançado como single mas já neste ano. “Each Time You Fall In Love” trata sobre a sensação de se entregar ardentemente em uma paixão e seus dilemas, riscos e intensidade. O que acho curioso desse som foi a voz me lembrar The Cardigans e a cantora Annie Lennox do Eurythmics. Consigo imaginar essa canção em vários filmes como por exemplo o icônico Donnie Darko (que tem uma trilha incrível que você pode ouvir no Spotify).

“Sunsetz” já te pega pelo braço para uma dança lenta com guitarras que navegam pelo universo mágico do shoegaze, uma balada romântica. Uma canção sobre saudade, desconfiança, apego e ilusão.

Já “Apocalypse” parece ter sido mesmo para ser ouvida na sequência de “Sunsetz” já que sua transição é “perfeita e calculada”. Certamente é quando vemos o brilho de grupos como Slowdive, Cocteau Twins, Mazzy Star e Swervedriver ser ecoado. Algo que é um acerto temporal na medida certa com a feliz coincidência com o retorno de grupos do gênero a ativa.

“Flash” vem para quebrar o ritmo e logo em sua introdução mantém o foco nas baquetas como Echo & The Bunnymen fazia com supremacia. A pressão fica nos vocais de Greg Gonzalez que dialoga com você olhando olho no olho. Acredito que seja uma das canções mais fortes tecnicamente do disco. Não sei porque mas essa música te o poder sexual – e magnético – de hits como “Sexual Healing” do mestre Marvin Gaye.

Claro que uma declaração ia ter que ter ao longo das 10 faixas. “Sweet” foi a escolhida para embalar e ser a balada dos pombinhos apaixonados. Repare que a pressão fica concentrada nessa vez no baixo que tem o dever de segurar todo o punch da canção. Se você gosta de Violent Femmes vai pegar de onde vem esse espírito logo de primeira.

Sabe aquela balada para tocar na Alpha FM depois de um Simple Red? Então “Opera House” podia tranquilamente tocar por lá daqui a uns 10 anos caso esse disco se sustente no gosto popular e não seja apenas um “hype” passageiro.

Se uma canção vai direto ao ponto é “Truly” chama literalmente para a xinxa. Sem frescuras ou saídas pela tangente. É o momento do ou vai ou racha. O ritmo é propício para uns amassos e outras cositas mas. O disco cresce mas cresce quando PRECISA e na reta final, últimos três sons é o timing certo.

“John Wayne” que até já tira a taça de vinho e encaminha o clima entre os lençóis: vem para atiçar e deixar rolar. Chega tímida mas vai crescendo. É bacana ouvir essa faixa com fones de ouvido para captar todos detalhes da melodia. O vocal nessa música em específico me lembra o do Ezra Koenig do Vampire Weekend.

Que escolha para fechar, sério, não poderia ser outra faixa além de “Young & Dumb”. Ela é pueril, leve, simples e com mensagem certeira com quem quer conversar. Uma faixa que tem sensibilidade, sangue correndo nas veias e a endorfina a milhão. Vai agradar de fãs de The Jesus & Mary Chain a The Cure, olha que delícia.


Cigarrettes After Sex 01


O primeiro álbum oficial do Cigarettes After Sex é antes de tudo um experiência sensorial. Leve, ardente, sexual, vibrante, sutíl, intenso, cósmico, magnético…tudo isso com muita classe. Daqueles que tem potencial de vir a se tornar um clássico do rock alternativo. Já tendo caído nas graças dos usuários das plataformas digitais e com boas reviews dos críticos, ele consegue fazer o elo entre boas influências e a cultura pop.

Se temos retornos de bandas como Mazzy Star, Slowdive, Swevedriver entre outras e uma procura pelo legado da banda de Ian Curtis: nada mais apropriado do que após quase 10 anos de banda eles acertarem no alvo. Com letras leves que conversam desde o adolescente alucinado a um frequentador assíduo dos tempos da lendária Factory.

Confira uma playlist THIS IS do Spotify para conhecer melhor o Cigarettes After Sex.


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