[Premiere] Lo-Fi evoca espírito forasteiro e apresenta o ácido “Regressive Rock”

Em tempos onde o rock – de FM – anda todo polido e “bonitinho”, muitas vezes feito para agradar a maior quantidade de pessoas possível, o Lo-Fi sempre caminhou na total contramão. Encarnando o espírito de fúria, caos e punk rock eles ao passar dos anos foram incorporando novas influências, novos contextos e aceitando novos desafios mas sempre colocando o pé na porta.

Pude conhecer o trabalho da banda formada em São José dos Campos (SP) ainda em meados de 2013/2014 em um show que eles realizaram no Manifesto, casa localizada na zona sul de São Paulo. Era meio de semana e apenas topei o convite da Deborah Babilônia (Deb And The Mentals) de ir assistir a 3 shows em um meio de semana com um público pequeno porém na vibe do show.

Se não me engano nessa noite ainda teve show do Lomba Raivosa que sou fã de carteirinha, não lembro se teve show do Emicaeli ou alguma outra banda mas foi uma noite ótima e o clima era esse: estar entre amigos. Como acontece na maioria dos shows do underground brasileiro, o que é ótimo por um lado e péssimo por outro mas “vamo que vamo” porque o corre é diário.

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Lo-Fi faz shows ensurdeceres. – Foto: I Hate Flash

O que vi aquela noite era um show punk rock cru, com aquele espírito sarnento, muito barulho e canções rápidas que entre uma cerveja e outra o vocal Rogério empinava sua botina e encarnava o espírito middle western. Aquilo me marcou, já mostrava que eles iam ir por caminhos diferentes em um futuro breve.

Pude vê-los recentemente em um show do Lomba Raivosa + Lo-Fi no Breve (novo clube da zona oeste paulistana) em evento organizado pela Letz Spindola que tá no corre a muito tempo sempre levantando a bandeira do underground. Foi um show diferente daquele que vi 4 anos antes. Com uma atmosfera e repertório bem diferentes.

A atitude punk rock se manteve ali mas o contexto e a fase da banda já era outro. Mudanças, como já dizia o mestre David Bowie. O show começou com uma espécie de jam barulhenta que foi se emendando e mostrando a levada noise rock, me espantei, não estava preparado para isso. Foi tão barulhento que confesso que quando acabou o show saí um pouco surdo do local.

Mas o que é noise rock?


Noise Rock é um gênero musical criado a partir do punk rock ainda nos anos 70. Com efeitos além do “óbvio”, exagero de pedais, efeitos de microondas, que podemos ver nas “brisas” do Television e no disco menos comercial da história de Lou Reed, o criticado Metal Machine Music. 

Sim, tudo isso muito antes de pessoal rasgar seda para o Sonic Youth, amar o Dinosaur Jr. ou os pais dos caras do METZ trocarem as fraldas dos caras. Nesse meio tempo tivemos Melvins, The Jesus Lizard, Swans, My Bloody Valentine, Stone Roses, o maravilhoso Shellac e o hardcore bruto e barulhento do Big Black.

Após o show procurei ir atrás dos materiais mais recentes do Lo-Fi e me deparei com dois disquinhos. Ultra Cosmic Blues (2015) e o Split com o New York Belzebu, With doubts on the ways of God, lançado agora em fevereiro.Vi uma clara evolução no disco cheio já com canções mais trabalhadas, já no split o desafio foi ainda maior: renovar o som da banda misturando GG ALLIN a psicodelia e somando ao som garageiro que sempre esteve presente no som do grupo.

Após isso já estava preparado para ouvir o novo álbum da banda paulista. Acredito que foi a melhor decisão revisar a discografia recente para assim ouvir sem ter aquelas antigas impressões calcificadas. Aquela oportunidade por se surpreender que todos deveríamos nos dar a cada novo disco que sai.

O Álbum: Meddling in Regressive Rock

Segundo as palavras do vocalista Rogério:

Meddling in Regressive Rock é um disco especial: é o último álbum da Lo-Fi, lançado após o “Ultra Cosmic Blues”, e mais importante: ele combina quase todos os pontos fortes do grupo até agora, lembrando até mesmo as influências básicas e cruas como, batidas duras rápidas, canções curtas.

Combinado com outros instrumentos como teclados, órgãos com a atmosfera escura de um pesadelo recém-terminado, do mais recente conceito adotado da banda, como eles gostam de dizer, Regressive Rock, fazendo Meddling in Regressive Rock um álbum que se mantém firme como um opus final até que a banda se reinvente no amanhecer desses novos tempos que estão enfrentando. Destaque para as faixas, “Charge hard”, “This song is you” (Participação especialíssima de Dinho Zampier nos teclados), “Ice age”, “To Sophie”.

Mas você deve estar se perguntando: mas que raios seria o tal do Regressive Rock?

“Surgiu de uma brincadeira. A gente toca versões longas das músicas dos discos abrindo espaço para muita improvisação, ai era um rock podre com rock progressivo, ai o Alexandre Capilé tinha esse nome na manga e peguei ele pra batizar essa mistura que fazemos que tem sido muito natural” conta Rogério

Talvez seja esse o espírito do álbum mesmo, equilibrar o rock cabeçudo ao punk bagaceira com vestígios do Noise Rock. De certa forma isso para mim soa como um sopro libertador dentro da trajetória da banda, que dessa vez consegue usar boa parte do repertório de influências e sintetizar isso em seu melhor estilo.

Você pode até não gostar do disco, do som dos caras e torcer o nariz….mas não pode deixar de reconhecer que é um trabalho autêntico. O disco está sendo lançado pelos selos Laja RecordsKarasu Killer Records. Algo que me chamou a atenção no primeiro momento foi ter uma versão da banda punk clássica Leptospirose depois de conversar com os caras fiquei sabendo que a faixa “Prometo Não Parir Pôneis” foi gravada para um tributo a banda organizado pelo German do parceiro Rarozine.

Satisfação saber disso, afinal de contas o German além de lançar tributos, fazer o zine ainda organiza uma série de festivais pelo estado de São Paulo ajudando a fortalecer a cena independente de maneira exemplar. Um irmão e herói para muitas bandas.

Sendo assim vamos lá: estão devidamente preparados para conhecer o novo álbum do Lo-Fi, com vocês Meddling in Regressive Rock (2017).
 


O álbum já se inicia com uma epopeia rock’n’roll que viaja pelas ondas do psych. Ela te convida para take a ride montado em um cavalo que atravessa o deserto em uma canção que tem o espírito forasteiro aflorado em meio a progressões lisérgicas. “Charge Ride” é uma música – digamos assim – mais “cabeçuda” mas sem deixar de ter riffs mais sujos.

Tem o lado melted porém cavalga em certas horas e tem a explosão em outras. Consegue agradar fãs de Skate Aranha, Black Sabbath, Pantera, Jesus Lizard, Hawk III e Neil Young.

A segunda canção é o Hit Perdido do disco. “This Song is You” acredito que seja a faixa que mais define o tal do Regressive Rock por sua constante viagem conduzida pelos teclados de Dinho Zampier embalados a um garage rock que flerta com o som do YES, do Doors, e desta forma fazendo uma mistura do obscuro dos 50’s com o embalo mais “cabeçudo” do rock progressivo.

A introdução dessa faixa por exemplo é bem raw, quase punk, o que deixa toda essa viagem ainda mais estruturada em camadas. Em certos momento a surf music, a garagem e punk se fundem ao prog/psicodélico e stoner: o que dá uma ótima sensação de estranhamento.

Como eles mesmos irão contar depois na entrevista esse álbum é o resultado da soma de bagagens e é mais “solto” que os anteriores, onde teve uma dose de ousadia em incorporar novos elementos porém resgatando as raízes dos primeiros dias de banda.

Isto está refletido na sequência “Boys”, “The tree made the forest grow big” e “Beer Mug”. A primeira com uma sensação constante de caos resgatada do hardcore de Washington de grupos como Government Issue e Minor Threat.

Já Big Black e Poison Idea são a áurea de “The tree made the forest grow big” que deixa o cenário pegando fogo com seus riffs rápidos e postura hardcore. “Beer Mug” como seu nome mesmo diz poderia facilmente estar presente em algum disco do ALL.

Assim como “Motel Money” as canções anteriores mostram certa frustração em relação a breves experiências amorosas ao longo dos anos, affairs, bebedeiras e percalços da vida. Coisas breves mas que de certa forma deixaram marcas em um coração fora da lei.

“Ice Age” faz o mix entre o punk rock e o blues em uma canção onde o desespero por voltar para casa sem “um amor” – e sim colecionando várias histórias frustrantes – de certa forma o deixam cabisbaixo e sem eixo.

O espírito Lemmy Kilmister em  “A7 Blues” é evocado em uma canção que tem a levada caminhoneira e que abusa de riffs setentistas mas que acaba feito um tiro de escopeta.

Tudo isso é uma ótima forma de aumentar o volume para uma das mais fortes faixas do disco, “To Sophie”, que faz a mistura do Stoner/Psych/Progressivo com a sujeira do crust. O sofrimento da solidão está em cada verso e o futuro de nosso personagem está incerto. E é este o desfecho do disco.

Mas calma, ainda não acabou! Afinal de contas como citado na introdução temos a Bonus Track esta feita especialmente para o tributo ao Leptospirose – o organizado pelo German do Rarozine. Trata-se de uma versão para “Prometo Não Parir Pôneis” canção que integra originalmente o álbum Mula Poney (2009) da banda de Bragança Paulista (SP).

O Lo-Fi tratou na versão de colocar sua personalidade na música. Injetando sua dose de Regressive Rock a canção que em sua versão original já tem “sangue nos olhos”. A releitura é ainda mais acelerada mas sem deixar de fora o lado cabeçudo presente nessa nova fase da banda. Seu final inclusive é apocalíptico. Acredito que essa foi a melhor maneira de fechar o álbum e sintetizar a fúria do raw-punk-regressive-fuckin-rock!

Lo-Fi

Meddling In Regressive Rock é um disco que mostra um mix dos primeiros dias do Lo-Fi com a experimentação sonora que só a experiência de anos de estrada e novas visões sobre seu som poderiam proporcionar. Isto é algo a se valorizar, tem ousadia, tem referências, tem improvisação. Tem procura por um som mais solto e sem querer se vincular a tal estilo ou se encaixar em alguma cena ou outra.

Talvez seja o disco que eles sempre quiseram fazer mas de uma forma ou outra – por outras convicções e maneira de observar a própria música – foi sendo adiado. A maturidade faz com que algumas bandas comecem a ligar o famoso “foda-se” e acho que isso só tem a ser algo positivo para o grupo.

Acredito que no show ainda a banda tem um ganho em mostrar o noise e experimentação que no disco fica um pouco mais escondido. Então aproveito para convidá-lo a empunhar uma dose de Jaggerbomb e viajar pelas ondas do Regressive Rock!

Playlist Exclusiva de Lançamento do álbum Meddling in Regressive Rock
Playlist Lo-Fi
Para o lançamento do álbum Meddling In Regressive Rock o Lo-Fi preparou uma playlist no melhor estilo “Para entender melhor o som da banda”. Com direito a canções que vão de Social Distortion passando por The Flying Burrito Brothers, Minor Threat a Waldick Soriano!
Playlist exclusiva que você pode ouvir no perfil oficial do Hits Perdidos no Spotify!



[Hits Perdidos] 
Antes de tudo gostaria de que falassem mais sobre o que é o tal do novo conceito que vocês empregaram no álbum: Regressive Rock. Nas palavras de vocês o que seria?

Rogerio: “Surgiu de uma brincadeira. A gente toca versões longas das músicas dos discos abrindo espaço para muita improvisação, ai era um rock podre com rock progressivo, ai o Alexandre Capilé tinha esse nome na manga e peguei ele pra batizar essa mistura que fazemos que tem sido muito natural. E de quebra, uma amiga nossa de Los Angeles adorou a definição e achou que representa muito bem e deveríamos usar, e ela trabalha com o Radio Moscow e Pentagram, então tá dito.”

[Hits Perdidos] Pude conhecer o som de vocês acredito que em um show em 2013 no Manifesto (SP). A levada era mais punk rock cru torto com músicas rápidas. De lá para cá o som foi agregando novas sonoridades, como enxergam a evolução?

Marcelo: “Em relação a sonoridade diria que foi uma evolução natural resultante de uma banda que está sempre tocando e produzindo coisas novas. Se você pegar o primeiro disco do Bad Religion em 82 e o seu último lançamento percebe uma grande evolução pois foi uma banda que nunca parou de produzir e tocar durante esses mais de 30 anos – porém, eles sempre mantiveram uma sonoridade parecida. No nosso caso, não ficamos presos a um único estilo, fomos absorvendo e colocando as diversas influências que fomos conhecendo durante nosso tempo, naturalmente e sem restrições – um processo de individuação do nosso estilo.”

[Hits Perdidos] O último álbum Ultra Cosmic Blues foi lançado em parceria com a Laja Records. Neste novo lançamento a parceria continua? Como vem a importância dos selos independentes na hora de divulgar e distribuir os lançamentos?

Thiago: “Nós lançamos nossas coisas com a Laja desde 2012, com o “Fast Rocking Slow Humping”, desde lá, o Mozine nos ajudou em todos os lançamentos.  Além da Laja, já lançamos com a Pecúlio, HBB, Give Praise e SPHC dos EUA entre outros. 

A ajuda dos selos começa na prensagem né. Sempre tem um jogo nessa hora. Na divulgação e distribuição a coisa é mais no sentido do alcance. O selo pode inserir a banda onde ela talvez não tivesse condição de chegar.”

[Hits Perdidos] Em fevereiro vocês inclusive lançaram um split com o New York Belzebu. Com uma levada caricata com influências do lendário GG ALLIN. Contem mais sobre esta experiência, o split e a admiração pelo mestre da escatologia punk.

 Rogério: “Vou te contar um segredo, não tenho nenhum disco do GG Allin, não escuto, a brisa em cima desse disco é totalmente influência do Dan McGregor do Lotus Fucker, idealizador do Split, ele sabia que podíamos fazer algo assim e saiu em um dia todas as músicas. Pra mim o conceito desse disco é uma leitura que fazemos sobre Noise ao nosso jeito de tocar, mais rock.”

Lo-Fi Promo
Lo-Fi apresenta em seu novo disco o “Regressive Rock”. – Foto: Divulgação

[Hits Perdidos]
Sobre o disco, “Meddling In Regressive Rock”, quais as novas influências?

Thiago: “A gente sempre ouviu de tudo, mas nos primeiros discos a gente ia mais pro lado do punk, hardcore, Black Flag com Iron Maiden, paqueramos um pouco com thrash, A.N.S., Cross Examination. Depois fomos entrando numa onda mais rockão, veio o Long Hair Cold Drinks, misturado Motorhead, DRI e Dickey Betts o Split K7 com o Zero Zero que é Billy Joe Shaver com Black Sabbath  e depois o Ultra Cosmic Blues, que é uma doidera só, totalmente diferente de tudo que fizemos, arriscamos novas afinações e sonoridades. O “Meddling In Regressive Rock” mistura isso tudo.”

[Hits Perdidos] “This song is you”  conta com a participação do Dinho Zampier nos teclados. E talvez seja a mais marcante do disco utilizando o conceito do Regressive Rock. Contem como surgiu a parceria e qual a “brisa” por trás do som.

Rogério: “Concordo, é a mais representativa do “gênero”. Primeiro que foi natural a composição dela, surgiu no ensaio, tocando, como sempre fazemos; uns improvisos em cima de algumas sequências de acordes, e quando gravamos, nos ouvimos e pensamos no Dinho na hora, porque ele curte muito ELP, Yes, e achei que cabia um teclado Farfisa e Hammond na música. Mandamos a faixa pra ele em Maceió e ele gravou em cima de primeira, ficou lindo e é uma das coisas que mais nos orgulhamos de ter feito, o Dinho ainda vai ser um parceiro em muitas musicas e composições.”

[Hits Perdidos] As músicas rápidas e mais punk rock também não ficam de fora, algumas até me lembrando ótimas bandas como Minuteman como é o caso de “Boys” e outras indo direto para o visceral Black Flag como “The tree that made the forest grow big” e  “Metal Money” com a pegada crust dos Los Crudos. Queria que comentassem sobre os 40 anos do punk rock, sua importância e como o punk rock mudou a vida de vocês.

Thiago: “Eu não vou ficar falando sobre punk mesmo porque já tem muito sabido nesse assunto e eu não sei nada sobre o que e ser punk de verdade, porém o punk rock deu voz pra muitos ditos excluídos, e a principal contribuição na nossa vida foi justamente essa: nos mostrou que poderíamos ter uma banda sem sermos “músicos”.”

[Hits Perdidos] Algo que achei sensacional foi a versão para a clássica banda Leptospirose aos 45 do segundo tempo no disco. Como rolou a ideia de regravar “Prometo Não Parir Pôneis”?

Thiago: O German do Rarozine chamou a gente para um tributo ao Leptospirose e escolhemos essa música. Eu cantava essa música para minha filha quando ela era neném e ela dormia.”

[Hits Perdidos] O Lo-Fi além de não parar de lançar singles, EP’s e discos…não para na estrada. Quais bandas que puderam cruzar na estrada que recomendariam para os leitores do Hits Perdidos.

Thiago:Lotus Fucker, Astro Motel, Stone House on Fire, Corona Kings, Os Bombarderos Suicidas, Jessica Worms, Molotov Conspiracy, Fester Youth, Muddy Brothers, Heretic Prayer Bastard Kids e J.L.D. sem contar os consagrados Water Rats e Deb and The Mentals. Tem muito mais, mas a gente nunca lembra.”

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O Drink “Meddling In Regressive Rock” é ácido e ríspido feito o som do Lo-Fi. – Foto: Divulgação

[Hits Perdidos] Caso pudessem criar um drink para batizar de “Meddling In Regressive Rock” o que levaria dentro?

Thiago: “Jagermeister, água tônica e pimenta.”

[Hits Perdidos] Para fechar: qual a expectativa para o show de lançamento do disco que acontece no dia 24/03 ao lado do Leptospirose no Costella?

Rogério: “Queremos nossos amigos no Costella, nossa banda tem um público pequeno mas muito fiel. Chamamos o Leptospirose, porque são amigos e escolhemos o estúdio Costella pelo mesmo motivo. Então vai ser uma festa entre amigos.”

 

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