[Exclusivo] “Música de verdade é algo divino.” diz Samsara Blues Experiment em entrevista

A vida é feita muitas vezes de como enxergar oportunidades e tirar o melhor proveito delas. Através da agitadora cultural e super envolvida na cena carioca, Paula Puga, soube da vinda do Samsara Blues Experiment para o país mas confesso que pouco conhecia sobre o som do grupo, talvez um ou dois singles. Já admirava a qualidade da banda porém nada como conversar com as pessoas para saber mais sobre suas paixões. E talvez foi isso que me levou a encaminhar esta pauta para o Lucas Guanaes.

Lucas é apaixonado pela banda alemã desde que os conheceu em meados de 2013. Ele inocentemente estava procurando por bandas relacionadas as que curtia. Para ter uma ideia no show de sua banda Bears Witness – em que canta e toca baixo – ele estava vestindo uma camiseta de outra banda referência do rock torto, o Sleep.

Colaborador do Hits Perdidos ele não teve dúvidas: era a hora de realizar um sonho antigo, conversar com o vocalista Christian Peters e tirar suas principais dúvidas relacionadas ao trabalho do Samsara. Os alemães já contam com 10 anos de estrada, carregam três álbuns cheios, diversas turnês pelos EUA e Europa e muita história para contar na bagagem.

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Samsara Blues ExperimentFoto: Divulgação

Carregando a lisergia o som passeia pelo space rock psicodélico, fazendo uma autêntica e multifacetada combinação de riffs arenosos e vibrações hipnotizantes. O grupo no momento está em fase de gravação de seu quarto disco.

Será a primeira vez deles na América do Sul. Antes do Brasil eles passarão por Chile, Uruguai e Argentina. A vinda dos alemães foi possível através de uma parceria Abraxas (RJ) com a Red House (Chile) e Noiseground (Argentina).

O setlist será composto ainda por faixas do já considerado clássico disco de estreia, Long Distance Trip, intercaladas com composições dos álbuns posteriores. No Brasil a banda se apresenta no dia 08/03 em Porto Alegre, no Riffe Bar, na inédita edição do Hocus Pocus Festival no Sul, com abertura da Mar de Marte banda que inclusive participou da série do programa Dezgovernadoz (curadoria Hits Perdidos) Especial Stoner Brasa Sem Reaça.

No dia 09/03 é a vez dos fãs catarinenses prestigiarem o trio alemão com show marcado em Florianópolis no Célula Showcase, quem tem a honra de abrir o evento é a banda Elavador de Itajaí (SC). Dia 10/03 a terra que vai tremer é Belo Horizonte com data marcada para o Stonehenge Rock Bar com abertura da Pesta e de uma banda que chegou a estrelar o programa dos melhores Hits Perdidos de fim de 2016, a Duna, Brisa e Chama.

Dia 11/03 o palco da Clash Club em São Paulo promete balançar. Além do Samsara Noise Experiment quem for vai ter o prazer de ouvir o som do Saturndust e Hammerhead Blues. O show anteriormente estava marcado para o local onde existia o Inferno Club mas foi transferido para a Clash nos últimos dias então nada de ir para a Augusta porque o show acontece no clube da Barra Funda.

A última cidade brasileira a receber a banda é o Rio de Janeiro. O trio tem show marcado na edição carioca do Hocus Pocus Festival e terá como bandas de abertura Aura e Psilocibina.

A turnê brasileira é a primeira investida da Abraxas em 2017. Inclusive a próxima atração que a produtora irá trazer para o país já foi anunciada, serão os americanos do The Atomic Bitchwax que farão show único no Brasil no dia 05/04 no mesmo local do Samsara (Clash Club). E como sabemos o ano está começando e se depender do que a Abraxas trouxe no ano passado, o “coro vai comer”. Já que no ano passado tivemos por aqui Radio Moscow (EUA), Stoned Jesus (Ucrânia) e The Shrine (EUA).

Mas vamos ao que interessa, o texto fan mode do Lucas Guanaes (Bears Witness) e a entrevista com o vocalista do Samsara Blues Experiment, Christian Peters.

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A tradição das artes indianas é fortemente pautada pela relação simbiótica entre estética e espiritualidade. A música (assim como as outras formas artísticas de expressão) se mostra não apenas como uma obra em sí, mas uma ferramenta completa de união entre corpo, alma, som e instrumento, um veículo para a transcendência.

É desta fonte holística que bebem os alemães do Samsara Blues Experiment, banda formada em 2007 pelo multi-instrumentista Christian Peters. Seu som, hipnótico, meditativo, complexo e lisérgico faz com que cada música soe como uma experiência espiritual. A percussão pulsante de Thomas Vedder, em seu casamento harmônico com as melodiosas linhas de baixo de Richard Behrens cria a perfeita atmosfera para as, hora contemplativas, hora agressivas, sempre extremamente livres e originais, progressões do guitarrista Hans Eiselt e do guitarrista/organista/vocalista/sitarista Christian Peters.

Conheci a banda por acidente, em uma daquelas madrugadas longas de férias na adolescência. Liguei o Youtube em piloto automático de modo descompromissado enquanto jogava no computador, e, entre um riff e outro de mil bandas similares de Stoner, uma música me chamou a atenção imediatamente. Era “Singata (Mystic Queen)”, faixa de abertura do álbum Long Distance Trip, de 2010. Pausei o meu jogo, apertei meus fones de ouvido e deixei-me levar pelo álbum enquanto me deitava, absorto na escuridão do meu quarto.

Aquilo era exatamente o que eu estava procurando. Possuía a quantidade certa de experimentalismo, sem que se tornasse parnasiano; uma forte presença do Blues, mas não o suficiente para que pudesse ser chamado de derivativo. Mesmo com sua enorme aura de introspecção, era pulsante o suficiente para não ser melancólico. Eu buscava aquilo há tempos, mesmo que não soubesse pôr em palavras. Era o mesmo que os primeiros álbuns do Pink Floyd e do Ultimate Spinach haviam me feito sentir há alguns anos, mas com a feliz constatação de que não era uma banda do passado. Eles estavam ali. Jovens, vivos e mais ativos do que nunca.

Quando soube que eles iriam fazer a turnê no Brasil em março, trazidos pela produtora Abraxas, comprei o ingresso logo no primeiro dia. Em mais uma destas felizes idiossincrasias do destino, fui chamado para fazer uma entrevista com o próprio Christian Peters. Veja a seguir o que conversamos:


[Lucas Guanaes] Música psicodélica é inerentemente transcendental, e vocês claramente utilizar referências místicas em suas letras e músicas, de Wheel of Life¹, passando por Shringara², até o próprio nome da banda³. Você acredita que música possui uma dimensão espiritual?

Christian Peters: “Ela precisa ter. Se não tiver, a maior parte é apenas barulho sem sentido. Talvez não, e talvez eu esteja sendo categórico demais, mas “música de verdade” é algo divino.”

[Lucas Guanaes] Você possui sua própria gravadora, a Electric Magic Records. Há alguma diferença, especialmente quanto à liberdade criativa, em gravar álbuns de uma maneira totalmente independente?

Christian Peters: “Hoje em dia, não. Há algumas outras diferenças significativas, no entanto. Eu gosto de ter o controle de tudo; não sou um maníaco por controle, mas eu não entendo o porquê das gravadoras – Que não se importam com as bandas como pessoas, e sim como produtos – devem ganhar dinheiro que é merecidamente meu.”

[Lucas Guanaes] Qual foi a coisa mais estranha que já aconteceu com vocês em uma turnê?

Christian Peters: “As boas maneiras me proíbem de dizer. Mas…o que é estranho, afinal? Não estamos todos, de alguma forma, tentando fazer sentido de nossa existência?”

[Lucas Guanaes] Particularmente, eu descobri sua música enquanto navegava aleatoriamente pelo Youtube, e desde então, sou um fã. O que você pensa e sente sobre o streaming, e a mídia digital no geral?

Christian Peters: “Eu uso, assim como você usa e deveria usar. Mas devo admitir que nós não ganhamos nada com streaming ou Youtube, então algo deve mudar. Não sei exatamente o quê. Talvez a sociedade capitalista inteira deva mudar, mas provavelmente não veremos esse tipo de mudança enquanto estivermos vivos. Mesmo assim, eu amo sonhar sobre uma sociedade na qual dinheiro não é tudo.”

[Lucas Guanaes] O que você acha da cena underground no momento? Há alguma banda que deveríamos estar ouvindo agora?

Christian Peters: “Você ouve o que quiser. Eu não te posso dizer sobre o que gostar, até porque, na verdade, eu não escuto muito rock, então, me desculpe. Eu amo Jazz dos anos 60 e 70. Bem, não tenho certeza de que era isso que você gostaria de escutar.”

[Lucas Guanaes] Há particularidades nos públicos? Quero dizer, você vê alguma diferença entre tocar para uma plateia alemã, britânica, ou brasileira, por exemplo?

Christian Peters: “Difere de cidade para cidade, às vezes de maneira mais nítida do que a diferença entre países. Algumas vezes, é apenas um certo espírito no ar, quando tudo dá certo, sabe?”

[Lucas Guanaes] Alguma dica para bandas que estão começando na cena stoner/psicodélica? Como vocês equilibram seus empregos diurnos com a vida em turnê?

Christian Peters: “Ah! Já sei. Uma banda que seria legal vocês ouvirem é Buddha Sentenza, eles são muito bons para um grupo de Stoner. Eu vivo de música 24/7, mas os outros caras da banda têm empregos normais e precisam entrar de férias quanto estamos em turnê. Ainda assim, isso não é tão frequente, então acredito que as coisas estão ok por enquanto.”

[Lucas Guanaes] Quem é Singata?

Christian Peters: “Não é uma pessoa, é um tipo de vinho.”

[Lucas Guanaes]  Pergunta Bônus: Alguma mensagem para os fãs brasileiros que estão empolgadíssimos para o show?

Christian Peters: “Respirem ;-)! E vamos todos nos divertir.”

¹ – Wheel of Life (A roda da vida) é uma referência a Bhavachakra, uma mandala, que, representa a visão budista do universo. De uma maneira cíclica, esta imagem representa a existência de modo cíclico; vida, morte, renascimento e sofrimento. É o título de uma canção do álbum “Long Distance Trip”, de 2010.

² – Rasa é um conceito das artes indianas que significa, literalmente, essência. Este conceito foi elaborado pelo teatrólogo indiano Bharata Muni, em algum ponto entre os séculos III a.C e I d.C, para descrever uma série de “sabores”, ou “sensações” estéticas evocadas pela arte que não podem ser descritas de maneira literal. Em sua obra Natya Shastra, o autor enumera nove Rasas, ou tipo de sensações. Entre elas, está Shringara, o Rasa do amor erótico, romântico, da atração física e da beleza. Shringara é o nome de uma música do EP Waiting for the Flood, de 2013.

³ – Samsara é a palavra em sânscrito que significa “Mundo”. É uma referência ampla à crença roda da vida, comum a diversas religiões indianas, de que todos os seres vivos navegam por um ciclo de nascimentos e renascimentos.

SERVIÇO COMPLETO DOS 5 SHOWS NO BRASIL

poster

8 de março
Samsara Blues Experiment em Porto Alegre (Hocus Pocus Fest)
Abertura: Mar de Marte
Local: Riffe Bar
Horário: 18 horas
Ingressos

9 de março
Samsara Blues Experiment em Florianópolis
Abertura: Elevador
Local: Célula Showcase
Horário: 21 horas
Ingressos

10 de março
Samsara Blues Experiment em Belo Horizonte
Abertura: Duna, Brisa & Chama e Pesta
Local: Stonehenge Rock Bar
Horário: 22 horas
Ingressos

clash

11 de março
Samsara Blues Experiment em São Paulo
Abertura: Hamemerhead Blues e Saturndust
Local: Clash Club
Horário: 18 horas
Ingressos

12 de março
Samsara Blues Experiment no Rio de Janeiro (Hocus Pocus Fest)
Abertura: Psilocibina e Aura
Local: Cais da Imperatriz
Horário: 17 horas
Ingressos

Realização:
abrrr

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