Álbuns internacionais que fizeram com que 2016 fizesse um pouco mais de sentido

2016 não foi fácil. Não foi para principiantes, até mesmo a campanha do Spotify reconheceu isso. Pegou de surpresa até quem estava mais “vacinado” ou que sabia como lidar com situações extremas. Foi um ano duro na política mundial, a rua virou palco de guerra a céu aberto. Muitas tragédias e catástrofes naturais deixaram muitos de nós tristes e receosos. Podemos falar qualquer coisa de 2016, a única que não podemos negar é de que foi intenso.

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Campanha do Spotify veiculada nas ruas da Inglaterra.

No campo da música internacional tivemos lendas falecendo. Por começar por Lemmy (Motorhead) que nem esperou o ano começar e bateu as botas no dia 28/12/2015. Ok não foi em 2016 mas tá mais para cá do que para lá.

Outro golpe fatal abalou o mundo, afinal de contas não é todo dia que perdemos um Bowie. E foi logo no dia 10 de janeiro. O homem que nos ensinou que podíamos ser heróis ao menos por um dia virou uma Black Star.

Perdemos Glenn Frey, produtor dos Beatles. Ainda era março quando Keith Emerson, tecladista do Emerson Lake & Palmer nos deixou. Não bastasse perder um Bowie, 2016 chegou feito uma purple rain e nos tirou Prince. Neste mês tivemos duas perdas significativas por exemplo: Leonard Cohen – o homem da voz rouca e baixa – e a lendária Sharon Jones.


Mas nem tudo foi ruim no mundo da música, claro. Este ano tivemos o último álbum – lançado em vida – do Bowie, Blackstar, e o Post-Punk Depression com o Iggy Pop juntando um time de “monstros da música” para o projeto. O Nick Cave também lançou um álbum muito bonito ao meu ver.

Os Rolling Stones aos 45 do segundo tempo no dia 02/12 me soltaram essa maravilha que é Blue & Lonesome. E foi direto para o topo das paradas. Um disco de blues no topo das paradas em 2016? Só os Rolling Stones mesmo para conseguir tal façanha.

Leonard Cohen um pouco antes de morrer deixou uma preciosidade  que alguns dizem que previa a morte. Até pouco tempo antes disso acontecer ele comunicou a imprensa que tinha vivido o suficiente e que estava feliz pelo que tinha feito. You Want It Darker foi a carta de despedida do poeta que partiu para outro cosmos. Gostei muito do Schmilco do Wilco e pude realizar o sonho de assistir ao show deles pouquíssimo tempo após seu lançamento (duas vezes – no Popload Festival e no Auditório do Ibirapuera).

No campo do rap quem continuou fazendo barulho e arrumando intrigas foi o Kanye West mas sinceramente The Life Of Pablo me decepcionou. Achei overrated. Muito marketing e intrigas para pouca: música. Já o Death Grips, mesmo não aparecendo muito nos shows (tem disso no marketing), fez um bom álbum. Tivemos também o celebrado álbum do lendário A Tribe Called Quest: este comeback foi venerado pela crítica e era uma chuva de elogios a abrir os portais. O álbum estreou no topo das paradas. Esperei a poeira baixar para ver qual era e claro: era ótimo.

Discos um pouco mais longe do mainstream também se destacaram como os sempre bons: Future Of The Left. 2016 foi o ano que consolidou o  PUP que lançou o The Dream Is Over. Este que no último mês ganhou até um clipe com o ator de Stranger Things, que mostra a dor de perder um amigo de quatro patas. Aliás que trilha sonora incrível a de Stranger Things hein? Outro seriado do Netflix deste ano com trilha muito boa foi Love. Procurem!

2016 nos trouxe mais de um disco do The Oh Shees. Pois é os caras tão na mesma pilha do Ty Segall em produzir álbuns em escala. O que salva a pele deles é que os discos são de fato bons e relevantes na cena atual garageira/lisérgica.

Mas como nem tudo é barulho, Michael Kiwanuka deixou 2016 mais leve com sua voz aveludada e soul que consegue arrepiar até quem não conhece tanto assim do estilo. Neste ano ele expressou suas emoções através da dualidade do disco Love & Hate.

Modern Baseball por sua vez me decepcionou com o lançamento, por mais que seja uma banda que não rola ter grandes expectativas eu esperava um disco mais forte. O mesmo aconteceu no comeback do American Football que depois de duas décadas lançou seu segundo álbum e soou como Dija Dijones (Loyal Gun / Penhasco) disse em uma conversa: “Sobras de estúdio.”. Faltou esmero, soou como “vamos fazer porque vão comprar”. Mike Kinsella lançou também um novo trabalho com seu projeto – que hoje em dia é o principal – Owen.

Uma prova de que foi um ano estranho é:

Tivemos Blink 182 sendo indicado ao Grammy, em que ano estamos?

Pois é e teve ainda um plot twist nessa história já que o vocalista do Alkaline Trio entrou na banda oficialmente. Tivemos ainda que aguentar na timeline uma eterna batalha sem fim discutindo qual era “melhor frontman”.

Beach Slang lançou um disco após uma série de polêmicas por conta de polêmicas com um membro que prontamente foi expulso. Com um clima mais leve eles lançaram um álbum um tanto quanto divertido.

O Wire após alguns anos lançou mais um ano e mostrou mais uma vez que é uma das bandas que mais manteve sua linha de som honesta – e talvez por isso continue na ativa por tanto tempo. O Suede além de fazer bons shows, continua mostrando que temos sorte em tê-los na ativa ainda.

Teenage Fanclub continua sendo a banda de covers favorita do cosmos. Bon Iver continuou fazendo a gente chorar. Touché Amoré fez com que gritassemos do fundo da alma por dias melhores. Sim, certos discos serviram como muleta para suportar este ano.

Bandas que também se consolidaram com bons lançamentos: Twin Peaks, Joyce Manor, BADBADBADNOTGOOD e Eagulls. Os discos anteriores já eram bons e dignos de destaque, porém dessa vez o radar de: vamos acompanhar de perto tudo que sair foi ligado!

Outra banda que deu as caras e fez bonito foram os nova iorquinos barulhentos do Parquet Courts. Amados pela Pitchfork o grupo consegue agradar até fãs do Deatheaven em Human Performance – disco sucessor do elogiado Sunbathing Animal.

Chover no molhado é falar bem de certos álbuns mas como deixar de fazer? Impossível.
O Descendents por exemplo soltou quase de surpresa um disco de inéditas e mostrou que a trupe de Milo e Bill está em forma. Mais do que isso o grupo californiano fez uma série de shows históricos no começo do mês que ficarão na memória de todos que tiveram o privilégio de comparecer. Ainda no punk/harcore tivemos Laura Jane e seu Against Me! lançando o sucessor do aclamado Trangender Dysphoria Blues, Shape Shift With Me.

Os experientes do The Brian Jonestown Massacre lançaram um excelente disco como de costume. O álbum Third World Pyramid este que os levou para tocar na América do Sul, creio que no Chile e Argentina mas os fãs brasileiros do grupo tiveram que ficar chupando dedo.

Duas bandas que certamente ganharam respeito nos últimos anos foram: Allah-Las e The Thermals. E não foi a troco de listas ou algo do tipo, longe disso. Allah-Las chegou nos meus ouvidos por uma dica de Johan Vernizzi (The Cabin Fever), e desde então comecei a viajar pelo som dos caras.

Este ano eles lançaram Calico Review e adivinhem só? Gol de Placa. Já o The Thermals eu descobri a alguns anos meio que sozinho naquela luta diária do “o que ouvirei de novo hoje?”.

Achei sincero o som deles, tem aquela energia de se divertir fazendo música que o pessoal do The Subways – mesmo estando longe dos holofotes da mídia – manteve ao longo dos anos. E desse som moleque, podemos se divertir, uma boa sequência de álbuns para ouvir na sequência é Thermals (We Disappear), Yuck (Stranger Things) e Twin Peaks (Down In Heaven).

Pouca gente ouviu ou se importou porém quem lançou disco neste ano e eu me diverti ouvindo foi o The Dandy Warhols. Eu sei que geral só lembra dos hits do Thirteen Tales from Urban Bohemia mas a nostalgia que foi ouvir Distortland após quatro anos sem lançamento foi: guilty pleasure.

Sobre canção internacional do ano eu vou seguir um critério que escolhi. Eu acredito de pés juntos que este foi o ano das minas na música. Tanto no Brasil como no mundo. Gostei do que as minas do Warpaint lançaram, Adorei – desculpe pelo trocadilho com o nome do álbum – Adore das Savages. Foi muito bom ouvir um novo disco da banda de Kathleen Hanna, The Julie Ruin e melhor ainda ver PJ Harvey mandando bronca.

Sendo assim eu escolhi duas faixas como as melhores:

The Coathangers “Nosebleed Weekend”

A escolha foi pelo conjunto da obra. A música me dá esperança de talvez temos sim uma banda a altura do legado de grupos como Garbage e Hole. E o clipe convenhamos é BADASS demais. Elas tem o poder de dialogar com toda uma nova geração de garotas.

The White Lung “Death Weight”

Não é difícil ver o White Lung nas principais listas de fim de ano. Mas eu creio que também pelo discurso firme de empoderamento feminino. Se as Coathangers são uma banda que tem subido em qualidade, eu acredito que o White Lung já chegou lá. Prova disso que a Domino Records ao perceber isto em 2014 integrou elas ao casting.

E os temas são diversos, desde brigas dentro do lar com seu parceiro a distúrbios alimentares. É um papo reto de mina para mina. Achei foda.

Gostaria de destacar e chamar a atenção dos leitores do Hits Perdidos para os seguintes dois álbuns que ao me ver passaram batido aí nas listas que tenho observado: Slaves (Take Control) e White Lies (Friends). Dois digamos álbuns do underground inglês flertam por algumas vezes com o mainstream. A atmosfera dark e punk dessas bandas a cada novo álbum ganha profundidade e novos admiradores.

O ano foi longo em tantos sentidos, vários acontecimentos e álbuns do calibre de dinossauros como Melvins que lançou Basses Loaded e o retorno do Pixies com o melhor álbum lançado em muitos anos – mesmo sem a incrível Kim Deal – Head Carrier.

Outra banda referência em seu estilo e venerada pelo duo brazuca SETI, Phantogram, lançou um delicado e bonito álbum: Three. Outra banda experiente da cena de rock alternativo inglesa assoprou as velinhas e completou 25 anos com disco novo. Estamos falando do Tindersticks e sua sala de espera (Waiting Room).

Gostaria de falar também sobre uma banda um tanto quanto injustiçada ao longo dos anos pelas listas e imprensa gringa. Os suécos do Peter Bjorn and John que dessa vez mantiveram o nível dos últimos lançamentos em Breakin’ Point.

Neste ano tivemos mais uma edição de Lollapalooza em que finalmente trouxe para o país o grupo Die Antwoord. Eles inclusive se aventuraram pela cidade de São Paulo aproveitando a vinda para ir para conhecer o Beco do Batman mas sem esquecer do Capão!

Pois bem após rumores de que a banda iria acabar, eles lançaram o divertido e polêmico, Mount Ninji and da Nice Time Kid. Além do divertido hit “Banana Brain”.

Já que o papo é Lollapalooza, neste fim de ano foi divulgado o line-up do festival – e como sempre – envolvendo muita polêmica. Muitos apenas louvaram a vinda do Rancid – pela primeira vez ao país ou o retorno do Metallica (pela enésima vez). Sinceramente ler o nome do Silversun Pickups me tirou o sorriso do rosto.

Outras duas atrações confirmadas e com shows elogiados ao redor do mundo também lançaram discos. Estamos falando do divertido – porém inofensivo – Catfish & The Bottlemen com The Ride e os alternativos dançantes do Fitz & The Tantrums com o álbum homônimo.

Podermos falar muitas coisas sobre o mundo da música em 2016 menos reclamar de que não foi um ano intenso e com muita música nova bombando nos headphones. E para isso resolvi preparar uma lista com sons deste ano no perfil oficial do Hits Perdidos no Spotify!

Ah não deixe de seguir o perfil do Hits Perdidos por lá, em breve teremos novidades na área.

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