Van der Vous quebra padrões através de uma fuga dandy alucinante

A fuga (ou escapismo) é um termo utilizado desde que se existe sociedade. Afinal de contas os sistemas que se instalaram da Idade Antiga até os tempos modernos sempre geraram uma linha de contenção. E essa rebelde resistência costuma colher frutos ao longo da história, desde as artes rupestres passando pelos cântigos gregorianos e chegando aos gloriosos tempos do Woodstock.

Todo exercício de resistência ou fuga da realidade e padrões pré-estabelecidos: costuma exercitar a criatividade e a expansão da mente. Quebrar paradigmas e destruir silenciosamente sistemas é uma maneira de tentar encontrar cores onde antes era uma tela em preto e branco.

A sociedade impõe padrões e linhas onde é o “caminho” a ser seguido. Aquele velho papo de linha de vida: nasça, estude, trabalhe, case, tenha filhos, se aposente, morra. E ela não nos pergunta se é isso que queremos de fato. Alguns apenas abaixam a cabeça e seguem a fila sem resistir. Em certo momento chego até a pensar: vivemos nossos sonhos ou vivemos as expectativas dos outros?

Talvez seja onde a música ganha corpo como força de resistência sonora e muitas vezes através de seus acordes distorcidos e letras filosoficamente engajadas consegue mostrar que sim: existe outro caminho. E ela se mostrou transgressora por tantas vezes já ao longo da história.

Nina Simone foi desprezada tantas vezes antes de se tornar uma grande estrela da música, foi vetada – por racismo – de tocar em um teatro que sonhou a vida toda (e já no fim da vida foi chamada para tocar ali). Janis Joplin derrubou uma muralha de preconceitos em uma sociedade onde as mulheres não podiam ser vocalistas. O MC5 empunhou suas guitarras e ergueu o punho como resistência Black Panther. David Bowie foi importante para unir novamente Berlim (e depois de sua morte foi ovacionado até pelo prefeito da cidade por sua dívida histórica com o cantor) e os Ramones disseram: você também pode fazer.

São alguns exemplos e esta carga magnética de resistência e fuga continua ganhando força em todo lugar onde há um fio de esperança por uma sociedade mais justa. Uma frase de Leonard Cohen que faleceu neste mês mostra como esta chama se mantém acessa:

“Ring the bells that still can ring
Forget your perfect offering
There is a crack in everything
That’s how the light gets in.” Leonard Cohen em “Anthem” canção presente no álbum The Future (1992).



Essa energia se renova em grupos como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, DEAF KIDS, Poltergat e na banda que falaremos hoje: a Van der Vous.

Mas antes disso vamos conhecer um pouco mais sobre o trio soterapolitano. A Van der Vous foi formada em 2013 em Salvador por Vitor Mattos (Vocalista/Guitarra), Nal Gomes (baixo) e Charles Silva (Bateria). A complexidade conceitual da banda vem desde o nome, visto que “Van der” vem do holandês e significa: Vem De. Já “Vous” vem do francês: “Você”.

Sendo assim podemos concluir que a música feita por eles vem de dentro da alma, da sua essência mais pura. O auto-conhecimento e transformação sendo forças motrizes desde a concepção da banda.

O embrião da banda foram antigos projetos de seus membros. Suas origens estão no cenário musical de Salvador, onde Vitor já havia tocado em algumas bandas como Garage 67 e The Santiagos, com Nal Gomes no baixo.

juntos
Van der Vous é (da esquerda para direita): Victor Mattos (Guitarra/Vocal), Pedro Cerchiari (Bateria) e Nal Gomes (Baixo). Foto por: Jam Martins.

Uma boa maneira de entender o surgimento do trio é conhecendo suas influências. Gostaria de destacar algumas The Doors, Pink Floyd, Jefferson Airplane, The 13th Floor Elevators, Syd Barrett, Grateful Dead, Jimi Hendrix, Cream, Gal 69, Caetano Veloso, Nirvana, Os Mutantes, Júpiter Maçã, Bob Dylan, Black Sabbath, Dungen.

Mas algo que acho importante ressaltar são exatamente bandas mais atuais citadas como: Tame Impala, The Growlers, Ty Segall, Mac Demarco, Caribou, Catavento, My Magical Glowing Lens, BAGUM.

Tendo em sua panela em combustão alguns nomes nacionais que vem se destacando por conta de seu som psicodélico de qualidade como o Catavento (que participou nos últimos dias de um festival organizado pela Muquifo Records) e a My Magical Glowing Lens que merece ser ouvida no mais alto volume.

Foi no ano de 2013 que o pontapé inicial foi dado com o lançamento com o primeiro EP digital, High, este que contou com duas faixas: “Mind Changes” e I Get High” (Ouça aqui). No ano seguinte eles lançaram seu primeiro álbum cheio, La Fuga (2014). A partir disso caíram na estrada e foram ganhando reconhecimento pela obra Brasil afora. E é deste disco que falaremos hoje, além claro de um single que acaba de sair do forno!

La Fuga ganhou no último mês uma remasterização e desta forma teve um ganho significativo na qualidade de sua produção. O álbum de estreia da Van der Vous, veio sendo produzido desde o fim da gravação do primeiro EP.

Ele foi gravado (em 8 canais), mixado e produzido no Estúdio Vous pelo próprio Vitor, que manteve o estúdio e assim teve mais recursos que o lançamento anterior. Tendo como responsável pela arte da capa, Cairo melo. Em 2015, o baterista Charles sai da banda e em seu lugar nas baquetas entra Pedro Cerchiari.



“What You Need” já chega com o tom catchy dos Beatles e o magnetismo de Syd Barret colocando os tons na nota. O espírito “dandy” está presente na faixa que mostra os ingredientes para “La Fuga” se concretizar.

Particularmente para mim esta canção por mais não notável a primeira audição: bebe do período de transição entre o rockabilly – que o Stray Cats resgata – e a psicodelia sessentista. Bandas que exploram deste lado mais dandy moderno são os ingleses do The Fratellis e os norte-americanos do The Dandy Warhols.

A canção fala sobre uma pessoa que já não tem mais o controle sobre a direção que sua vida está tomando. Assim, a faixa convida o ouvinte a procurar por sua “cura”. Sendo esta a de encontrar o que ele realmente precisa. E a resposta está justamente dentro de você, alocada dentro do seu coração.

“Cirque de Júlia” já vai na direção dos Mutantes. Ela reverbera o lado circense em um picadeiro de emoções. Uma música cheia de clímax e anticlímax que dá o tom mais viajante e transcendental da composição.

Por hora abusa dos pedais de distorção e faz com que nos sintamos como se estivéssemos dentro de um carrossel desgovernado. Outrora faz nos sentir próximos do castelo do conde Drácula. O desprendimento do sistema soa como uma tortura e o caos da canção mostra como esta transição é um tanto quanto voraz.

O tom boêmio e escapista volta a ganhar território em “You Know”, a canção conversa diretamente com “What You Know” e põe o coração mais uma vez como bússola do caminho que o ouvinte deve seguir.

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O disco foi gravado, mixado e masterizado no estúdio do Vocalista Vitor Mattos. – Foto por: Lizziane Lima, Edição por: Viktor Vous.

“I Get High”, a quarta faixa também está presente no EP de estreia da Van der Vous, High (2013). E viaja pelo campo astral tendo uma sonoridade “egípcia” com influências do oriente, algo que grupos como The Growlers exploram com exito. Claro pois ambas bandas tem em seu DNA o derretido apaixonante som do The 13th Floor Elevators. Aliás sempre vale a pena recomendar aqui no Hits Perdidos a audição deste disco.

À partir deste momento você já está desplugado de todos seus sentidos e caso esteja meditando: já flutua. Está pronto para “La Fuga”, uma neo psicodelia que sintetiza o conceito de disrupção e desprendimento das correntes do sistema – presente no disco.

Aquela Júlia antes perdida, encontra seu caminho pois ouve os dizeres do seu coração. A libertinagem e emancipação são narrados ao longo dos quase 5 minutos da música. Os teclados dividem espaço com uma guitarra que ao menos para mim: me remete ao projeto paralelo dos caras do Tame Impala, o POND.

Mas como toda fuga necessita colocar os dois pés no chão, a canção seguinte é “Back To Reality”. O plano de discussão familiar em entender este novo ponto de vista em não seguir o caminho convencional – o que permeia a aceitação da sociedade – é colocado em pauta na faixa. Onde a realidade difere do plano emancipativo que “La Fuga” prega.

“Somehow” é a faixa mais longa do disco e em seus 8:23 decorre e derrete sobre pensamentos densos e acordes alucinógenos. Assim como o Pink Floyd tem seu tom opera rock e ajuda no andamento como polo de transformação.

A percussão ganha destaque e abre passagem para a guitarra solar delicadamente. É viajante, tem o cataclisma e esconde um pouco do rock setentista mais obscuro proveniente da garagem. Recurso este magnetizante que os contemporâneos do Caribou usam e abusam.

E quando a neo-psicodelia encontra o Nirvana e tem um filho? Foi basicamente o que acontece em “Come Alone And Play”. A viagem psicodélica ganha uma carga energética barulhenta dos porões de Seattle. Na talvez mais “suja” canção do disco. A rebeldia é exarcerbada através dos acordes que mostram a fúria do interlocutor.

Outra canção regravada do primeiro play dos baianos é “Mind Changes”. A energia faz com que fechemos os olhos e nos imaginemos em um sonho. Ela tem o mesmo poder lisérgico e lo-fi que algumas canções do Wavves.

E com uma base similar da faixa que abre o disco porém com mais loopings e mais acelerada – e garageira – o ciclo dandy se encerra em “Behind The Wall Of Your Pain”. Uma canção que mostra o sofrimento de muitas vezes não conseguir seguir seus sonhos a sua maneira. Assim seguindo o molde para se adequar a sociedade, o frustrando.

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La Fuga teve a capa confeccionada por Cairo Melo.

La Fuga é um álbum sobre frustração, entre o querer e o poder. O conflito interno entre seguir os moldes em que o sistema nos prega versus a vontade de fugir dos padrões. Ele derrete feito uma viagem dandy alucinante, é jovem, é rebelde e tem uma essência que vem do fundo da alma. Um disco de contrastes de uma mente pensante. Na parte instrumental ele se reinventa absorvendo sim influências da psicodelia 60’/70′ mas não esquece do lado garageiro mais moderno lo-fi. Tem até espaço para experimentações fora da curva como a influência perceptível de Nirvana e a veia pop.

O que surpreende também é a qualidade do resultado D.I.Y. da obra visto que Vitor foi responsável por gravar, mixar e masterizar em seu próprio estúdio. Algo que por mais comum que tenha se tornado no meio independente, exige um enorme aprendizado e muita paciência. Tanto por isso que optou neste ano remasterizar para separar as arestas de tudo que não tinha lhe agrado quando este foi previamente lançado em 2014.

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Van der Vous no Festival Supernada, na foto o baterista Cerchiari e Rod no sax. Foto por: Cairo Melo

Mas vamos falar de novidades e nos últimos dias a Van der Vous disponibilizou em suas redes sociais: seu mais novo single, “Poesia Lunática”. Assim como o nome diz a faixa é um tanto quanto esquizofrênica com versos um tanto quanto dadaístas. A faixa estará presente no EP que deve sair ainda este ano. Em 2017 eles tem planos de lançar um álbum cheio contendo canções inéditas.

[Hits Perdidos] Como nasceu a Van der Vous? Vi que tem passagens por outros grupos como Garage 67 e The Santiagos, como crê que esse background foi essêncial para o som que fazem nos dias de hoje?

Vitor Mattos: “Essas bandas foram minha escola. A Garage 67 foi minha primeira banda que formei em 2007. Tocavámos “punk high energy” ou “protopunk” com influência de MC5, The Stooges e Hellacopters. Quando a Garage 67 terminou com a saída do vocalista (tocava guitarra somente) acabei formando a The Santiagos como um power trio e aí tocávamos uma mistura de blues com som sessentista.

O blues foi minha base guitarrística e rock sempre esteve na minha essência.”

[Hits Perdidos] Nos últimos anos o termo neo psicodelia/lo-fi tem sido bastante citado e o número de bandas crescido significavamente. Com bandas como Molodoys (SP), Boogarins, Winter Waves (RJ), POND, Mac Demarco, Caribou, The Growlers, o mestre da guitarra Ty Segall entre outros.

Como vem isto e como isso de uma forma ou outra os influencia? Inclusive o álbum foi elogiado por Lucas Bori do Vivendo do Ócio, conte como foi isso.

Vitor Mattos: “É como uma esponja, sugando água, o som a arte ela passa pelos sentidos e se transforma dentro de nós em algo nosso mas derivado da essência de outrem. Luca Bori e o perfil da Boogarins compartilharam o álbum logo quando fora lançado em 2014, achei bacana, se eles curtiram o álbum de verdade é sempre importante compartilhar para ajudar porque todos nós artistas passamos pela fase underground.”
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Desde o lançamento de La Fuga em 2014 a banda tem excursionado ao lado de bandas como My Magical Glowing Lens, Catavento, Bagum, Bike. – Foto: Festival Mantra Sounds
[Hits Perdidos] O Brasil é referência desde os anos 60 com grupos como Mutantes e Os Baóbas – para citar alguns – algo que de certa forma orgulha e mostra que até os gringos vieram resgatar influências por aqui. Quais discos mais gostam do cenário “brazuca” do estilo?

Vitor Mattos: “Os MutantesA Divina Comédia ou Ando meio desligado, Tecnicolor, Tudo foi feito pelo sol,… No País dos Baurets, to respondendo direto de boa como se tivesse falando (risos).

O TerçoO Terço
Gilberto Gil – um dos primeiros que tem uma capa escrita dele de poesias e imagens, o de 1967 que ele se inspirou no Sgt. Peppers (Beatles).
Caetano Veloso Transa, Caetano Veloso – álbum branco, Caetano Veloso – London, Caetano Veloso – 1967 
Gal CostaGal 69, Gal 68
Arthur VerocaiArthur Verocai
Matuskela -Matuskela (1973)
Zé Ramalho e Lula CortêsPaêbiru

Alceu Valença e Geraldo AzevedoQuadrafônico

Tem mais mas esses foram os que me lembrei por agora.

[Hits Perdidos] É muito interessante – e raro – ver uma banda citar 13th Floor Elevators como referência. Uma banda incrível mas que sempre é vista como secundária por muitos. Inclusive tem um documentário excelente sobre eles no youtube e a carreira pós do Roky Erickson é ótima.

Quais outros “achados” gostariam de citar como referência e como sentem que o som do 13th Floor Elevators influência?

Vitor Mattos: “Tem a banda Caribou que você mesmo citou, The Byrds, Psych Ills, Sweet Smoke, Gandalf, Syd Barret, o Piper do Pink Floyd, Nazz, Love, King Crimson,  Frank Zappa hot rats, Bowie (vários, comece pelos primeiros). O 13th é muito viajante, a psicodelia tratando de letras relacionadas com a fuga do sistema como em “Monkey Island” que ela fala sobre que somos macacos e que vivemos iguais na mesma rotina , ou seja, não é apologia a racismo e sim como se macacos fossem robôs e todos fossem iguais. Vai além do som, mas o som é viajante pra caralho.”

[Hits Perdidos] Qual o conceito e mensagem do La Fuga (2014)?

Vitor Mattos: “O disco trata da fuga do sistema. O que seria o sistema? O sistema é o que vivemos todos os dias, o trabalho, a escola, a comunidade, as ações repetitivas, a desigualdade, a falta de respeito.

Enquanto os pais não acreditarem que seus filhos são capazes de viver aquilo que está escrito, as coisas vão começar mudar pois só vamos mudar para melhor com ocupações artísticas, com mais arte, mais inclusão social e mais governo nisso, porquê o governo tem a grana e é o único que pode governar a favor dos oprimidos. Temos dominar o governo.

A ideia é essa e foi criando maturidade pois sentia e ainda sinto essa opressão pelo fato de tentar viver de arte, dá pra senti na pele como é e que não é fácil e arte digo pra qualquer arte, é um caminho tortuoso e tem que ser forte, pé no chão e viajar na sua onda.”

vandinho
“Poesia Lunática” é o primeiro single do novo EP que deve sair até o fim do ano.

[Hits Perdidos] Agora no fim de 2016 foi remasterizado o disco e vocês tem planos de lançar no ano que vem material inédito. Quais são as expectativas e quais surpresas podemos esperar?

Vitor Mattos: “Muitas surpresas. Final do ano agora já pretendo lançar um EP de leve e em 2017 lançar um álbum totalmente novo. Psicodelia, grunge, música brasileira, todas essas influências que vivi nos últimos anos e as fortes emoções.”

[Hits Perdidos] O lado DIY merece também ser destacado. Afinal de contas o álbum foi gravado, mixado e produzido pelo Vitor em seu estúdio (Estúdio Vous). Quais foram as dificuldades e ganhos do processo?

Vitor Mattos: “Os ganhos foram de aprendizado, aprendi muito, sobre mixagem, masterização, microfonação, equipamentos. Dificuldades, muitas, pois pela falta de experiência em meter cara à tapa em DIY acabei vacilando em alguns pontos e depois do álbum lançado (fora a dificuldade de gravar tudo sozinho), percebi com o tempo que o álbum tinha falhas de mixagem e de masterização e que seria ideal remasterizar.”

[Hits Perdidos] Como funciona o processo criativo e quais as inspirações na hora de escrever?

Vitor Mattos: “Inspirações são variadas, cotidianos, a própria vida, as experiências, as dores, felicidades, pensamentos. Crio o instrumental, tento criar a música toda antes do ensaio para otimizar o processo de criação e vou fazendo a letra com calma, observo minhas influências, vou buscando também.”

[Hits Perdidos] Quais artistas e bandas tem escutado e recomendaria para os leitores do Hits Perdidos?

Vitor Mattos: “The Byrds
Mac Demarco
Clube da Esquina
Baco Exu do Blues
My Magical Glowing Lens
BADBADNOTGOOD
Astralplane”

[Hits Perdidos] Qual os discos favoritos de cada integrante?

Pedro Cerchiari (Baterista): Physical GrafittiLed Zepppelin, NevermindNirvana, White Album Beatles, IdeologiaCazuza.
Nal Gomes (Baixo)  – Black SabbathParanoid, Afro-SambasVinicius de Moraes e Baden Powel, Joy DivisionUnknown Pleasures, U2Unforgetable Fire.
Vitor MattosBADBADNOTGOODIV, Pink FloydThe Piper at the Gates of Dawn, My Magical Glowing LensEP, Clube da Esquina (1972), Gal CostaGal 69, Mac Demarco – 2 e Salad Days (2014).

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