Orange Sessions Apresenta: A melancolia à flor da pele do Quarto Negro

Como já contamos na semana passada o projeto Orange Sessions começou á todo vapor e com o pé direito na semana passada. Após o lançamento do primeiro trecho do mini-documentário sobre 5 bandas independentes que participaram da primeira temporada.

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Os paulistanos da Molodoys estrelaram o primeiro capítulo na semana passada.

A parceria entre o canal de youtube Minuto Indie e o Estúdio Casa da Vó começou a ganhar asas no último ano e desde então eles tem batalhado para entregar o melhor resultado possível cheio de aprendizados, novos amigos e novas vivências.

Para o pacote ficar completo, eles convocaram parceiros para a divulgação e sempre vale destacar o trabalho de quem ajuda a espalhar cultura Brasil afora:

Brasileiríssimos, Canal Riff, Candy Music, Crush Em Hi-Fi, Cansei do MainstreamDef (Banda), Os Garotos de Liverpool,  Indieno, I’m Indie, Nação Da Música, Pick Up The Headphones, Plugcitários, Sincronias, Guitar Talks  e claro o Hits Perdidos!

Afinal de contas o hábito da leitura que nos mantém interessantes, vivos, informados e críticos com o mundo a nossa volta. E o conteúdo em cada plataforma diferente faz com que nós consigamos extrair um pouco mais e aprendamos dia após dia. Afinal de contas não nascemos sabendo como fazer as coisas e cada um tem algo para nos acrescentar.

O segundo vídeo da Orange Sessions que acaba de sair do forno é o do duo paulista Quarto Negro que vem para eletrizar com seu Psych que passeia pelo rock alternativo e flerta com o eletrônico. Recomendadíssimo para fãs de Grizzly Bear e Wilco – que finalmente vem para o Brasil este ano.

QN
Quarto Negro é a session a ganhar as luzes do dias.

Aliás eu diria que o Quarto Negro é uma banda global. Poderia ter surgido no Brasil, na Califórnia, em Portland ou até mesmo em Berlim. Após lançar seu EP, Buu (2008), e uma temporada em Nova Iorque Eduardo Praça decidiu após juntar forças com Thiago Klein e Fabio Brazil, lançar um álbum agora com banda.

E a prova disso é que uma das primeiras composições ainda na fase de lançar EPS foi a canção “Zoroastro”, nascida em Buenos Aires, foi às telas junto ao premiado curta metragem “Hemea”, de Daniel Barosa.

O que os deu destaque e já começou a chamar a atenção pela atmosfera e capacidade criativa da banda. Mais uma vez o mundo se tornou pequeno para o Quarto Negro e em 2011 eles estavam com mais planos de espalhar seu som pelos quatro cantos do planeta.

Assim nascia Desconocidos (2011) um disco que foi gravado em Barcelona (Espanha) – em 2010 – e primeiro álbum do trio. Um álbum que foi muito bem recebido pela imprensa e público, que fez eles rodarem pelo país.

O álbum já começa com “Luz” uma canção com um instrumental cheio de melancolia e viagens eletromagnéticas através do tempo e o espaço. Um teclado que comanda a balada flutuante e densa. Versos como “um dia eu mudo, eu juro, eu juro” dão um peso amargo no coração que te faz sofrer junto com a angústia da canção.

“Nosso Primeiro Divórcio” segue a linha cronológica e já começa feito odisseia emendada no riff final da canção anterior. Os sinths ganham uma atmosfera que trás a imersão a outro paralelo. Guitarras com um tom shoegaze, se atiram e ajudam o interlocutor a se enforcar em seu marasmo. A influência da fase “Psych” chapada dos Beatles, The Flaming Lips e Wilco é perceptível pelos ricos detalhes ao longo dos sete minutos de canção.

“Prometeu ao Santo” já tem um astral um pouco mais elevado em sua melodia. Uma canção sobre saudade, arrependimentos, ostracismo e a desilusão.

Com elementos de percussão e atmosfera “acústica”, o piano conduz a balada de um desiludido em um pântano cheio de trevas. Um solo cheio de distorção dá o embalo surf rock embriagado que a canção pede para descrever toda a paisagem da canção. São os beats de um coração partido em dois.

“Quando o mar não vem” dilacera e põe a ferida a céu aberto para cicatrizar ao som de um trompete que narra o tom fúnebre/country/psych/powerpop da balada estrelada. Em seguida vem o grito do fundo da alma de “Socorro” uma canção sobre as falsas aparência de um coração que sangra no silêncio à espera de um novo desfecho. O grito de um coração ainda apaixonado. As violas lembram inclusive o choro de um flamenco.

“Llucmajor” é o peso da dor na balança. A razão x a emoção que vem de dentro do peito. O querer seguir em frente mas o coração não permitir. Os versos são como uma série de frases que por alguma não foram ditas antes do fim. A atmosfera dos metais trás uma aproximação com o jazz/blues em uma canção gravitacional de rock alternativo. O interlocutor é um eterno errante tentando aprender com suas falhas e erros.

E quem vem te puxar para baixo mais uma vez é “Do Medo ao Medo” que mistura a música folclórica com as pistas de dança. A bateria te remete aos anos 80, o triângulo simula a batida de um coração sufocado por tanto sofrimento e agonia.

Na sequência temos “Vesânia I (Cano Horn)” e “Vesânia II (Delírio Mútuo)”. A primeira uma balada espacial embriagadas como as tristes baladas viajadas das guitarradas de Jason Pierce, com trechos de diálogos em espanhol e parece fazer com que o coração já prestes a explodir comece a derreter feito um ácido corrosivo. A desconstrução de um relacionamento é o tema central da segunda, a melancolia e beleza são os destaques da balada cheia de nostalgia, violinos e ritmos cardíacos acelerados.

“Perfume Solto” trás a calmaria e introspecção de volta ao plano terrestre. Feito o silêncio destruidor que nos mata aos poucos através da nota de um piano. Me remeteu ao Radiohead. Para fechar o disco temos “Desconocidos”, talvez o Hit Perdido do álbum e cheio de sentimentos sufocados ganhando vida através dos elementos de percussão casando com as guitarradas lo-fi e doses de desequilíbrio emocional.

Quatro anos após o primeiro trabalho, e agora em duo e tendo assinado com o selo Balaclava Records chega ao mundo o segundo trabalho do Quarto Negro, Amor Violento (2015). Este que começou a ser gravado em 2013 e contou com as participações de Benjamin Weikel (The Helio Sequence) na bateria, Justin Harris (Menomena) no baixo, além da ajuda de Kathy Foster (Thermals), o que fez com que rodassem os EUA.

O álbum já começa com “Filhos do Frio” e já mostra uma diferente maturidade em suas camadas sonoras, ganho adquirido com as participações e quilometragem. A densidade e sonoplastia que poderiam ilustrar qualquer trilha sonora de filmes, se mantém na mesma altura e capacidade de prender os vazios da dor e solidão. Particularmente essa primeira canção me remete as trilhas compostas por Trent Reznor (NIN) para filmes.

“Julien” é a canção sobre um anjo caído emergido na tristeza sedimentada em seu coração que transborda milhões de sentimentos pós apocalípticos. A guitarra chora e o remorso parece estar longe de encontrar a luz do fim do túnel.

Já “3012” já começa entrando em órbita, a psicodelia das baladas tropicalistas vão de encontro com o universo do Spiritualized. É intergalática, fria e uma canção para ser sentida e não interpretada.

Se o tempo e o espaço não são suficientes para separá-los de suas paixões quem diria quando “Há um oceano entre nós”? Uma canção que o nome traduz toda a dor que tanto a distância física como a emocional consegue nos trazer. Sabe aquele sentimento de estar de frente de uma pessoa e não senti-la ali? Este amargo no peito.

“Orlando” que teve seu vídeo lançado há apenas 3 semanas já começa com as guitarras cantando junto com a voz. Uma balada shoegaze contemplativa e cheia das ambientações que deslocam o ouvinte para outro plano.

“Mala Mujer” brinca com as camadas para dar efeitos ainda mais próximos da mensagem quase que sensorial. Os pianos e os arranjos cadenciam o ritmo do melodrama imersivo de uma canção que grita no silêncio por ajuda.

“Espírito Vago” é a odisseia desse disco com 9 minutos bastante trabalhados feito uma verdadeira sinfonia da balada do caos. Ela já começa sendo desconstruída com um piano que vai te matando aos poucos através do poço de ansiedade, que é conduzido por uma guitarra e elementos de percussão e teclado que te trazem de volta para o campo gravitacional. As emoções flutuam no campo da discórdia, remorso, teimosia e transtornos.

Claro que o fuzz e os elementos eletromagnéticos iam ganhar forma. Você se sente dentro de uma espacionave clicando todos os botões para tentar se comunicar com a nave mãe, sem sucesso. Isso é traduzido nas guitarras, teclados e efeitos disruptivos alá Sonic Youth.

“Ela” é sobre se embriagar de amor, ser conduzido a uma paixão e viver ela a toda intensidade sem pensar nas reais consequências de tremenda aventura. E feito um tornado ela chega desvastando tudo que passa por frente. E claro, nosso amigo interlocutor sofre nesse jogo de ganhar e perder. Porém a música é esperançosa e com uma atmosfera otimista. Destaque fica para a rica gama de instrumentos que agregam valor ao seu resultado final.

“Tua Fraqueza Depõe Calada” é uma canção de amor, daqueles puros que transbordam a alma. Se o disco anterior tem uma visão pessimista sobre o amor e seu ciclo, este nesta reta final mostra o oposto. Ele quer viver tudo aquilo intensamente.

“Em Tua Carne, Ancorei” tem um viés ainda mais sentimental. Sua densidade ecoa entre o piano dialogando com a percussão até a entrada do vocal. Ela é delicada, é uma balada de um amor vivido até a última ponta.

Quando parece estar tudo bem, chega o caos e a conexão tribal com os sentimentos mais puros e densos da alma. Daí entra guitarrada e sobra efeitos de pedais para tudo que é lado. Afinal de contas os sentimentos á flor da pele nos conduzem por essas dualidades.

A faixa título “Amor Violento” é a que encerra o segundo trabalho do Quarto Negro. Uma balada melancólica que mostra como o amor é – metafóricamente – uma locomotiva de emoções; entre seus altos e baixos. O trem desgorvernado sintetiza todo a dor de um amor que se foi para sempre. A dor se arrasta mas a esperança meu amigo, é a última que morre.

Após o fim desse ciclo no próximo dia 16/07 o duo lançará o EP, Obssesivo, no CCSP.

Obsessivo


O EP também lançado via Balaclava Records já começa com uma balada alá Joy Division, “Obsessivo”. O amor mais uma vez em pauta, desta vez o amor um pouco mais “fora da casinha”, a história de um inseguro compulsivo que chora sua dor. As camadas entre a linha de baixo e teclados te transportam para a velha e industrial, Manchester.

A outra canção que ilustra o disquinho é “Benedito, 682”, que também flerta com o post-punk e sua densidade cármica. O sentimentalismo e o masoquismo por amor ganham novos versos poéticos. O sentimento de posse do “Obsessivo”, traduzido em suas “poses”. É de certamente tão “doente” a narrativa que só um louco apaixonado mesmo para nos explicar os motivos para tanta fixação.

A música evolui bem e te lembra os trabalhos da banda noventista inglesa altamente influenciado pelo post-punk, Catherine Wheel. Os pianos e a atmosfera remetem a uma nova fase criativa da banda. E após ouvir a discografia do duo, talvez seja o meu favorito até agora. Gosto dessa densidade das camadas e a maneira em que a orquestra é tocada.

Após está introdução fique com o segundo episódio da jornada dos parceiros do Minuto Indie: com vocês, Quarto Negro @Orange Sessions!

 

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