Com lampejos do proto-punk e púrpurina do Glam Rock: Evil Matchers solta o verbo em Burning Baby!

Hoje nosso editor ficará ausente. E quem assume o tom do discurso e mostrará uma verdadeira viagem através do mundo do rock é ninguém menos que Sylvain Sylvain, lendário guitarrista do New York Dolls.

Além do Dolls ele toca em projetos paralelos como o Sylvain & The Criminals, Sylvain Sylvain and the Sylvains (2015), e o mais recente: Sylvain Sylvain & The Trash Cowboys que no momento realiza turnê na Espanha. 

Sylvain Sylvain é frequente usuário de redes sociais, e nos últimos anos ele embriagado na madrugada – boladona – começava a discotecar diretamente da página do New York Dolls. Os fãs logo curtiram a iniciativa, lá é comum ver discotecagem com influências que Sylvain carrega de uma vida toda como The Ronettes, Elmore James, Troggs, The Spiders, The Rolling Stones, Flamin Groovies e Bo Diddley, mas também é possível encontrar artistas mais atuais que fazem a cabeça do músico como os Libertines.

O projeto tomou proporções que ele se viu obrigado a criar um perfil para divulgar seus alcoólicos sets. E você pode acompanhar eles diretamente da página do Rampage Of Songs. Aliás o nome dos New York Dolls inclusive tem sido ventilado bastante através da nova empreitada de Martin Scorcese e Mick Jagger, na série Vinyl do HBO. Claro que isso ia só fazer com que a real história do grupo fosse recontada por pesquisadores musicais, como os do site Den Of Geek.

Mas agora deixo o personagem Sylvain Sylvain comandar o post.

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“Hello Motherfuckers and rock’n’rollers. Are You Ready to rock?” e assim começo meu set, sempre com algum som do MC5 preferencialmente: “Rumblin’ Rose”.

Sim, pego pesado desde o primeiro som. Tem que dançar, mexer as cadeiras, baby. Garage Rock, proto-punk, R&B, punk, Funk e oldies estão entre as minhas preferências. Mas quem me conhece sabe: gosto de ficar ligado nas fuckin novidades, oh yeah!

E a banda que me encheram o saco para ouvir hoje parece que vem de General Girls (Minas Gerais), gostei do nome desse lugar. Para um próximo projeto Sylvain Sylvain’s & The General Girls poderia ser um bom nome. Afinal garotas e rock’n’roll é bem a minha praia, baby.

Fiquei sabendo que os caras são meus fãs e isso me deixa honrado pensar que no Brasil que chegamos a tocar pouquíssimas vezes – se não me enganho – minha memória é péssima para datas e lugares, alguém em 2016 ainda nos vê como influência. E sangue novo é tudo que o rock’n’roll precisa.

Os caras tão na ativa desde 2013 mas devido a complicações extra campo o material que a banda achou desejável que fosse trabalhado foi ficar pronto e redondo só agora no último mês. Ah, estou falando do Evil Matchers. De cara já gostei do nome, todos do mal, munidos de caos e destruição, é isso aí fellas. Sangue nos olhos, aliado a calças apertadas sempre deram muito certo.

O som passeia por referências muito parecidas com as nossas como Johnny Thunders, Richard Hell, garage rock casca grossa, punk e Glam Rock. Oh yeah! taca púrpurina em tudo mesmo, rebola essa bunda e vamos em frente dominar o mundo.

O grupo é formado por: Luiz Bueno “Gringo” (Guitarra / Vocais), Victor “Punkerage” (Guitarra / Vocais), Léo Alves (Baixo / Vocais) e Luis Borges (Bateria).

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A nova formação do Evil Matchers mandando ver

O Rafael conversou com os caras, então vamos fazer assim: a cada pergunta eu dou meus pitacos e vocês que aguentem minha fúria, alright?

[Hits Perdidos] A Evil Matchers já existe a alguns anos. Conte sobre o momento atual da banda e as mudanças ao longo dos últimos anos até o lançamento do primeiro EP.

Bicho, igual eu tinha falado no post de lançamento do Burning Baby!, a Evil Matchers sempre passou por vários momentos turbulentos. Foram 3 formações que tivemos de banda, brigas, discussões, bate bocas, vontade de esgoelar o amigo de banda (Risos). Brincadeira, amo todos eles!. B.O de polícia, um quase fim da Evil Matchers, idas e vindas frustradas de estúdio, atrasos e problemas na produção das músicas, estresse e ansiedade pela demora da produção do mesmo, e por aí vai…

Mas foi muito bom no final das contas porque esse EP pra gente foi uma grande escola. Aprendemos desde como se produz as músicas na unha mesmo, porque o EP foi gravado quase todo na sala da minha casa, até mesmo as questões mais burocráticas envolvendo registro de músicas e tudo mais.Acho que os próximos lançamentos que gente for vir a fazer, nem vamos sofrer tanto quanto sofremos nesse, pelo fato da gente ter apreendido com todos esses erros e problemas que tivemos. E assim espero! (risos)… E além disso, essa formação foi a que a gente conseguiu produzir mais coisas.

E apesar de toda essa turbulência até o lançamento do EP, fez com que a banda amadurecesse e a gente ficasse bem mais próximos e entrosados.” Comenta Gringo

Sylvain interrompe:
“Oh Well, sei muito bem do que estão dizendo…se para vocês é difícil em 2016 em fazer o rolê independente…imaginem em 1970, my fellas. Mas isso faz parte do rock’n’roll, ralar a bunda e fazer algo honesto”. 

“O momento atual da banda é aproveitar os agitos dos lançamento, tocar em qualquer lugar que der pra tocar e rodar o maximo que der. Foi um trampo grande fazer esse EP que demorou bastante pra tomar forma por causa detrocas de formação. A formação atual foi a melhor até agora e a que conseguiu produzir mais.” replica Punkerage

“O momento atual é de afirmação e de solidificação da banda. Tivemos mudanças de formação o que acabou por arrastar ainda mais o processo de gravação desse EP, mas acredito que todos esses problemas que apareceram no percurso serviram pra banda amadurecer em todos os aspectos, seja no relacionamento uns com os outros, seja em estúdio pra gravações e na parte comercial da banda. Estamos juntos com essa formação já fazem dois anos e a banda cresce a olhos vistos. Fico muito orgulhoso em tocar com esses caras e tenho certeza que ainda temos uma longa estrada e muita música pra fazer juntos. A Evil Matchers é o tipo de banda da qual eu sempre quis fazer parte.” diz Léo

“Estamos sem duvida alguma, no nosso melhor momento. A banda achou a formação certa. Estamos entrosados tanto nos palcos, quanto fora dele, algumas oportunidades interessantes também estão aparecendo e muito coisa boa tem sido feita em BH, como o Gringo sailientou e muito bem ai em cima (risos).
A Evil Matchers passou por muita coisa desde o seu inicio, muita coisa pesada até, mas conseguimos superar isto e fazer um EP muito foda. Acho até que essas coisas que nós passamos, nos ajudaram neste EP e com certeza tem um pouco disto lá.” finaliza Luis

[Hits Perdidos] Quais as principais influências pro som da banda?

“Iggy and The Stooges, MC5, Dead Boys, New York Dolls, Hellacopters, Turbonegro, Buzzcocks, Undertones, toda aquela linha de bandas de proto punk, punk 77, glam rock e garage de 70, além das bandas nacionais como Forgotten Boys, MQN, Plebe Rude e Inocentes.” são as principais influências de Gringo

“Pra mim, sempre, Hellacopters, Backyard Babies, Iggy e Stooges, Turbonegro, Dead Boys e Dolls mas não posso deixar de citar bandas como Forgotten Boys que foi o que realmente me fez acreditar que podia fazer o que a gente faz hoje em dia. Curtia muito os caras quando era moleque e foi o que me deu empolgação pra ir bem alem do punk, além de ter me introduzido coisas como MC5, Hendrix e T-Rex.” sempre tocam no play do Punkerage

Sylvain interrompe:
“Quantos filhos e amigos de longa data sendo citados, é nessas horas que vejo como eu e minha gangue fizemos diferença”.


“Acho que a nossa grande influência coletiva é o chamado pré punk nova iorquino. Todos nós gostamos muito de Iggy and the Stooges, MC5, New York Dolls, Ramones, Johnny Thunders, Dead Boys, e toda aquela turma que circulava pelo CBGB nos anos 70…” conta Léo


“Iggy and The Stooges, MC5, Dead Boys, New York Dolls, Hellacopters, Turbonegro, Buzzcocks, Undertones, Ramones, Misfits, Bowie, Forgotten Boys, Plebe Rude, Inocentes. Acho que isto e o que formam nosso som.” finaliza Luis


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[Hits Perdidos] Quais as inspirações na hora de escrever?

“Minhas composições são baseadas em coisas que aconteceram ou eu passei na minha vida. Normalmente são meus estresses, frustrações, ansiedades, dores de cotovelo (risos). Tudo que a gente tem vontade de falar e por pra fora, mas que em forma de composição e musica tudo isso sai bem mais fácil.” comenta Gringo

“Eu não costumo escrever muito pra banda, normalmente ajudo o Gringo a melhorar as letras que ele costuma fazer, sempre muito L.A.M.F. e ai tem que dar um Up nelas, se não ficamos cheio de musicas com letra baixo-astral (risos).” Punkerage conta 

Sylvain quase me atropelando diz:
“Nem tudo é drogas, sexo e rock’n’roll. A fossa está ali sempre presente. Essa divertida combinação as vezes tem seu preço. Tiraram o Johnny (Thunders) de perto de nós nessas derrapadas da vida.”

“Sempre escrevi de uma forma muito pessoal. Gosto muito de escrever e de certa forma sempre foi uma válvula de escape pra mim em relação aos problemas da vida. Só bem recentemente consegui contar histórias e coisas do tipo, mas todas ainda são pessoais no sentido de ser o meu olhar sobre o tema. As inspirações sempre são algo que vivi, ouvi ou li.” replica Léo

“Apesar de ter “Promessas Sujas” no EP, hoje eu escrevo com uma frequência bem menor. Mas muito vem do dia-a-dia, do cotidiano e das coisas que a gente sofre e vive.” diz Luis

 

E com esse pretexto chega a hora de analisar ao primeiro EP do grupo mineiro, Burning Baby! (Abril / 2016).

“Headfuck Baby” já chega como um pontapé inicial extremamente dançante. Com uma levada setentista que o Hellacopters re-editou no começo dos anos 2000 com supremacia. Mas a fonte tá ali: New York Dolls, Richard Hell e o punk’n’roll.

Sylvain chega puxando uma moça de canto entre um passinho e outro:

“É isso baby! sentimentos á flor da pele, high voltage nos 220v, solos alucinógenos, melodia e revezamento de vocais. That’s What I’m saying! Poderia ter sido escrita em 73 ou em 2016 que ninguém notaria a diferença”

“Promesas Sujas”, letra que composta pelo Luis tem um tom de protesto e a veia política necessária numa banda que tem postura punkrock. A denúncia de problemas sociais como o monopólio das grandes indústrias e a corrupção enraizada na sociedade são temas abordados. Alguns riffs te lembram um pouco a crueza dos Sex Pistols com o swing do New York Dolls. Quem mescla isso com uma facilidade é Nicke Borg, mais conhecido por seu trabalho na frente dos Backyard Babies.

Sylvain:

“Por mais que eu não entenda nada que os caras estão dizendo na letra, música é feeling e paixão. E eu consigo ver uma energia de rebeldia e transformação no meio desses acordes. Tem uma introdução com solos alá glam rock, do meu amigo Michael Monroe (Hanoi Rocks) e a música negra que baby! Eu amo.” 

[Hits Perdidos] “Promessas Sujas” parece ter certo engajamento político. Seria uma crítica as instituições públicas e sua corrupção?

“O Luis vai saber melhor falar sobre, porque é uma composição dele. Mas a letra não deixa de ser uma crítica política a grandes instituições (não só públicas, mas como privadas também) pela corrupção e pelas falsas promessas que que eles fazem, onde isso é cada vez mais destrutivo e prejudicial a toda sociedade, principalmente a camada mais popular.” diz Gringo

“Promessas é uma musica que critica a política de forma geral, mas é uma musica antiga do Luis. Bem antes do cenário que temos agora, mas só mostra que as coisas não mudaram muito com o passar dos anos, a gente aqui se matando pra ralar, e os caras la gastando nosso dinheiro com o proprio luxo.” Punkerage

“Essa é uma música do Luis, mas eu quando escuto sempre penso nisso…Me passa um sentimento de revolta contra a classe e o sistema político do Brasile quando canto tento passar exatamente isso, seria algo como “La vem os filhos da puta tentar enganar a gente de novo”.” comenta Léo

E para sedimentar o sentimento, Luis fala o que pensou, aproveita o púlpito para protestar e fazer um apelo a sociedade brasileira:

“Total. Se pegarmos todas as esferas de hoje, seja no legislativo, no executivo e no judiciário ou municipal, estadual e federal, o que vemos, desde antigamente, quando eu escrevi esta letra, é que nada mudou, absolutamente nada, as instituições públicas continuam corruptas e o políticos, que foram eleitos para serem os representantes do povo, dão banana para todos nós.

E assim eles vão nos fudendo cada dia mais e só pensando em benefício próprio. Gostaria de fazer uma ressalva, hoje, estamos no nosso pior cenário político do qual eu me lembro, e não é apenas por causa do governo. Temos um dos congressos mais conservadores, ultrapassados e com rabo preso de todos os tempos e infelizmente, o respeito a democracia esta escorrendo de nossas mãos.

Temos partidos que não sabem como agir e mostram que não respeitam o estado democrático de direito, travam o país e querem chegar ao governo, da forma mais absurda de todas. Blindando corruptos para poder alcançar seus objetivos. Não estou satisfeito com o início deste novo governo, mas nem por isto eu apoio este golpe que estão tentando dar.

Corremos o risco de dar grandes passos para trás e perdemos muito do que foi conquistado ao longo dos anos. Hoje vemos vários acusados de crimes, tentando tomar o poder e blindando outros piores ainda. Necessitamos de uma reforma política urgente e limpar toda essa corja que temos hoje. O povo tem de ter a consciência de que nós que temos que dar as cartas e não sermos manipulados por políticos e juízes que só fazem as coisas por interesse próprio.

Devemos ter serenidade neste momento e entender e saber usar a melhor arma que nos temos que é o voto. Não desperdicem seu voto por alguns trocados ou por Promessas Sujas, valorize o seu direito a democracia, valorize o seu voto, valorize o seu direito e mostrem para estes políticos vagabundos, que se eles não estiverem lá, lutando pelos direitos do povo: não terão outra chance para mamar nas tetas do país.” comenta o autor da canção, o baterista Luis.

[Hits Perdidos] Porque algumas músicas em português e outras em inglês?

“Eu acho que basicamente a gente tentou respeitar o modo de compor de cada um. O Luis e o Léo gostam de compor mais em português, e eu já componho mais em inglês.

E desde o início da banda a gente quis não limitar isso. Eu até gosto desse tipo de abordagem, porque dá bem mais dinamismo a banda. E além disso tudo, é bem legal ver o pessoal discutindo sobre a gente cantando em português e inglês. Sempre fica aquela “ahhh gostei mais dessa em português, gostei mais da letra dessa em inglês” e por aí vai. E eu gosto de ver o pessoal discutindo isso.” afirma Gringo

“As letras em português e inglês variam, normalmente o Léo tem mais facilidade no português, Gringo tem mais facilidade no Inglês.” rebate Punkerage

“Gosto de escrever em português. É uma coisa que faço questão na verdade. É importante pra mim que as pessoas entendam o que estou cantando, quero que elas compreendam e eventualmente se identifiquem com aquilo, tudo bem que várias vezes a acústica dos lugares que tocamos não deixe ninguém entender nada (risos). Mas gosto do português. Andei me aventurando em uma composição em inglês de uma nova música nossa, mas essa parte normalmente cabe ao Gringo.” diz Léo

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Punkerage durante show beneficente realizado na Matriz Casa Cultural (Belo Horizonte) no fim do ano passado.

“Smile And Charms” trás a tona toda influência rock’n’roll do conjunto, tem um Q de Johnny Thunders ali, um desleixo proposital nas guitarras que passeiam pelas décadas de 50 e 60 feito um baile de garagem. Flamin Groovies e o punk obscuro dos canadenses do Teenage Head – que já gravaram até disco com o Marky Ramone que bem antes de tocar no Ramones, ainda como Marc Bell, tocava com Richard Hell & The Voidoids e gravou “Love Comes In Spurts”-  podem ser sentidos ou comparados. Boas influências e veneno na agulha.

Sylvain Sylvain chega junto do microfone e diz:

“Me senti em casa, apesar de eu ter nascido no Cairo (Egito), foi Nova Iorque a cidade que me fez o que sou. Onde pude adentrar ao soul, ao groovie e de acidente ajudei a formentar o punk que nem tinha esse nome ainda mas whatever. Essa canção eu poderia tomar um porre tranquilo entre observar uma dança no pole dance e um dry martini. Servidos?”

[Hits Perdidos] “Smiles And Charms” é a menina dos olhos de Johnny Thunders do disco e cia. Tem hard rock, punk rock e powerpop, bem raw. O que pensam sobre o revival do rock obscuro e glamouroso dos anos 70. Como a série Vinyl por exemplo.

“Fico extremamente feliz em saber que você escutou ela e lembrou do Johnny Thunders! Ele é um dos meus maiores ídolos e referência musical!Sobre o revival do rock obscuro e glamuroso dos anos 70, eu acho que ele sempre teve vivo de algum modo. Basta você ir em algum show underground, que sempre vai ter um figura que vai remeter bem essa época. É lógico que o tempo passa, e várias outras abordagens surgem.

Na série Vinyl, por exemplo, vimos que o mercado fonográfico estava em pleno vapor. Hoje com a internet, você não tem mais essa referência que o pessoal tinha como na década de 70, por exemplo. Hoje você vê a maioria das bandas lançando as coisas por conta própria, sem ter que esperar uma grande gravadora ajudar nisso.

Quanto ao lifestyle, eu acho que o pessoal poderia curtir até mais, pra gente ter mais casas de shows cheias com bandas mostrando material novo, com gente curtindo rock n’ roll e com muita vontade de fazer festa, bagunça e agito por aí!
Acho que a coisa mais massa de toda essa época é a diversão. E essa mesma diversão é que a gente tenta fazer e passar um pouco disso nos nossos shows.” comenta o compositor desse som, Gringo

“Acho massa, poderia ter mais. Muito obrigado.” ressalta Punkerage 

“Acho que esse período é fascinante cara, estética e musicalmente, por que era uma época de novidade e experimentação, a coisa estava acontecendo e todo mundo apostava no novo. O que é algo raro hoje em dia por exemplo em que é mais fácil seguir por caminhos já trilhados. Sem dúvida foi uma época de ouro no rock.” afirma Léo

Já Luis entra na onda e aproveita para provocar a banda fictícia da série:

“Smile and Charms é tudo isto e mais um pouco, Smile É A MUSICA deste EP. E Vinyl é simplesmente sensacional, é tudo o que eu queria ter e viver agora, Vynil tem a cara da Evil Matchers. Nós somos melhores do que Nasty Bits, nós salvaríamos a American Century Records.” brinca Luis

“Sempre Eu” é a quarta música do EP. Com camadas que variam entre o Punk 77 e o Glam Rock. Ela é poderosa como uma canção do 999, Buzzcocks, Inocentes, The Adverts ou The Saints. O tom dela é punk, é autodestrutiva. Riffs surrados, raiva, sede de vingança e ego inflado são sentimentos que transparecem. É como se tivessem pisado no calo de algum dos Evil Matchers, o pavio dos fósforos tivesse se acendido e o fim da linha se aproximando: em uma espécie de contagem regressiva.

“Wild, Nasty, Rebel Soul. É o tipo de energia que eu tento imprimir nos palcos. Como se fosse minha última noite neste plano. Estou batendo o pé aqui nessa espelunca que estou no momento. Hell Yeah!” comenta Sylvain

[Hits Pedidos] “Sempre Eu” tem um tom de raiva que parece sair berrado pela boca. A rispidez é bastante evidente. Parece ter um ar de vingança. Quem era o alvo?

Gringo: “Sempre eu é aquele grito punk. É uma música que a gente queria simplesmente mandar aquele grande foda-se pro pessoal que vai de contra o que a gente quer. Fala também um pouco sobre fazer as coisas do seu próprio modo, e também de correr atrás do que realmente você quer.”

Punkerage: “Sempre Eu é aquela que toca na alma punk, mas de um jeito diferente, é aquele sentimento que o DIY nem sempre é uma escolha e sim uma necessidade. Se a gente não meter a cara e fazer nossos corres, vamos ficar pra traz.”

Léo: “Vários (risos), essa música eu escrevi já a algum tempo e fala de um tema bem universal, que é querer viver a vida nos seus próprios termos. Se rebelar contra as regras que as pessoas tentam te enquadrar e dizer “Foda-se se vou ganhar ou perder, mas vou apostar no que eu acho certo” e seguir em frente. Acho que o rock’n roll é muito sobre esse sentimento. Acho que todo mundo já sentiu isso na vida, principalmente na adolescência.

Luis: Punk Rock até os ossos, como diz o grande Gilmar, The Ganmit, vocalista da banda punk belo horizontina, Consciência Suburbana, Se você não está contente, faça voce mesmo.”

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O guitarrista Gringo durante show realizado na Matriz Casa Cultural. Foto por: Hoccus Photos

“Seven Days Sick” é a canção que fecha o primeiro trabalho da Evil Matchers. Ele já começa com baixo pegado, tom de despedida e confusão à vista. O clima intimista faz a canção soar como um grito desesperado por ajuda.

Por mais melancólica que seja, ela age como se você estivesse implorando por aquela cerveja gelada depois de um dia tenso no trabalho. Com solos açucarados alá Glam rock ficou inevitável não perguntar sobre a inesperada volta do Guns’N’Roses. Banda que como vocês verão não é unanimidade entre o grupo.

“Cerveja e fim do dia? Cara, para mim ela já começaria no café da manhã e talvez eu escovaria os dentes bebendo uma em outros tempos. Mas sim, sinto uma energia dançante nesse som, um pouco mais balada eu diria. É disso que sinto falta no rock’n’roll, esse pub rock feito para perturbar quem está calado. Parece que está tudo muito cômodo, ninguém merece esse marasmo de Coldplays da vida.” intervem Sylvain Sylvain

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A troco de milhões de dólares, Guns’N’Roses se reúnem para shows com line-up quase original

[Hits Perdidos] “Seven Days Sick” já possuí uma levada de pub rock. Com um rock abelhudo, com doses de álcool em formato de Hellacopters. Então lá vai uma pergunta/provocação: O que pensam sobre a volta do Guns’N’Roses?

Gringo: “Seven Days Sick é mais uma música que na hora que você escuta dá vontade de já abrir uma cerveja e/ou tomar aquela dose de um drink forte. Um amigo meu já me falou que quando colocar Evil Matchers pra tocar, imediatamente ele sente vontade de beber. Eu considerei isso como um elogio e fiquei bem feliz! (risos)

Sobre a volta do Guns, eu como fã, senti muita falta principalmente do Izzy lá no palco. Além dos bateristas clássicos como o Steven Adler e o Matt Sorum. Confesso que achei muito bacana ver umas imagens do Slash, Duff e o Axl dividindo o palco no Troubadour. Mas pra mim, eu ainda não considero que eles realmente tenham voltado não. Ainda falta muita coisa pra ser considerada uma real reunião do guns.”

Punkerage: “(risos). Meio surreal falar de Guns. Gringo saberia melhor falar disso. Eu particularmente prefiro falar da volta do Backyard Babies. Mas massa aí o Guns, se eles não ficarem só usando da nostalgia pra ganhar uns trocados (milhões) e produzirem música. De boa por mim.”

Léo: “Eu particularmente nunca fui muito fã do Guns (risos). Mas vejo por dois aspectos: Por um lado é legal ver uma banda que marcou uma época voltar a tocar junto, principalmente por conta da relação entre os membros da banda. Deve ser uma bosta você conquistar o mundo com os seus camaradas e quando estiver no auge brigarem e ficarem anos sem se falar. Eu acredito mesmo que a música deve unir e não separar as pessoas.

O lado negativo é ver que o cenário rock mainstream está tão abandonado que ninguém conseguiu “ocupar” o posto deles como grande banda de rock. Aliás isso esta em extinção né? “Grandes bandas de rock” mundialmente famosas.”


Luis: “Gostava de guns na minha infância, pré adolescência, até crescer e compreender que o Axl Rose ja fez uma música que atacava abertamente gays e negros.”

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O primeiro EP, Burning Baby! do Evil Matchers foi gravado no Tesla Studios & Buenos Studios, com apoio dos estúdios Nebulla em Belo Horizonte (MG). A mixagem ficou por conta de Alexandre “Capilé” Zamperi e Marcus Motta. Já a masterização foi realizada por Capilé nos Estúdios Costella em São Paulo (SP).

Para passar a régua e fechar o caixão fiz mais duas perguntas para o grupo.

[Hits Perdidos] Quais os planos após o lançamento do EP. Pretendem gravar algum clipe de divulgação?

Gringo: “Queremos tocar o máximo possível! Se possível uma turnezinha pelas capitais do país, e rodar um pouco pelo interior de Minas Gerais também. Além disso, só estamos esperando resolver umas questões burocráticas pro lançamento do álbum físico, que vai contar com a ajuda dos selos de alguns amigos, como a High Time Records do Daniel Freire, e a Die With Knife Bitch Records, do Lídio Ruas. Quanto ao clipe, queremos demais gravar um pra divulgar uma das músicas do EP. Ainda não decidimos qual música vai ser e como vamos fazer, mas ainda temos algumas ideias e pode ter certeza que quando sair, vai ser algo bem divertido! (risos)

Punkerage: “A divulgação ao meu ver é tocar onde der e aparecer onde pudermos, a gente pensa em clipe sim, e quando sair vai ser bem “trashão” (risos).

Léo: “Um clipe é uma coisa que queremos fazer. E agora é pegar esse material e tentar rodar o máximo por ai e tocar nó máximo de lugares que a gente puder, pois somos uma banda de palco, é o lugar que amamos, e acredito que esse EP vai abrir muitas portas pra gente.”

Luis: “Sim, estamos pensando em um clipe. Os planos sao, tocar, tocar, tocar e tocar e apos isto, tocar mais ainda, aonde der, aonde puder. Mostrar nosso som e nos divertir por ai.”

[Hits Perdidos] Para fechar uma situação hipotética: “se você encontrasse um adolescente que começasse a se interessar por rock”. Quais discos recomendaria e quais falaria para passar longe?

Gringo: De cara eu indicaria o High Voltage do AC/DC. Esse álbum foi extremamente importante na minha vida, porque foi com ele que eu fui aprendendo a tocar guitarra. E o pouco que eu toco hoje, eu devo demais aos irmãos Young. Agora os outros vão ser bem difíceis, porque são tantos que a gente poderia indicar! (risos)

Mas vou tentar citar alguns: de clássicos, eu indicaria o Exile On Main Street dos Stones, o Jailbreak do Thin Lizzy, o Ziggy Stardust and the Spiders from Mars do Bowie e o Electric Warrior do T. Rex. Além disso eu indicaria o XXX do Motosierra, o High Visibility do Hellacopters, o Ass Cobra do Turbonegro. Se essa pessoa gostar destas indicações, pode ter certeza que alem de ter bom gosto, vai ser um grande amigo(a) meu também!

(risos) Agora pra ele ficar longe, eu falaria de qualquer álbum de qualquer banda que lota de delay a guitarra e se acha o guitarristão fazendo isso, e daquelas bandas xaropes que tem músicas com bateria com chimbal repicado e vocal em coro. E se fosse dar uma dica pra ele ficar longe em específico, eu falaria pra ele ficar longe de Oasis, porque é chato pra caralho.

Punkerage: “Acho que primeiro eu faria o “lesk” escutar o split Motosierra/Forgotten Boys, depois um Stones pra agradar os avós e pra fechar, aquele Turbão (Turbonegro – Ass Cobras) pra causar uns problemas na família. Tá pronto, fúria, classe e deathpunk!”

Léo: “Cara, recomendaria vários. Mas tentando resumir e com o coração na mão indicaria um nacional que é Legião Urbana, o 1° dos caras, por que foi a primeira banda de rock que eu me liguei (Ouvia as musicas no K7!) e o Renato Russo era um compositor incrível, principalmente nesse início de carreira.

E um internacional seria Raw Power do Iggy and the Stooges, que é meu disco de rock favorito de todos os tempos!! “Search and Destroy” é a maior canção do rock cara!

Passar longe (risos)….cara, a música nacional agonizou durante uns anos com a fase “emo” e depois os Hipsters água com açúcar. Então esqueça toda essa merda e fique longe de Banda do Mar, banda Malta e o caralho! Vá ouvir Evil Matchers!!!”

Luis foi mais filosófico em apontar suas escolhas e deu motivos construtivos:

Luis: “Logo de cara, eu aplicaria Fun House, dos Stooges, para que ele pudesse entender e absorver tudo o que o Rock pode te dar e fazer por você. Depois, eu o apresentaria ao The Clash por causa de Joe Strummer e para ajudar a moldar o caráter deste garoto e por último, eu mostraria Ramones para que ele pudessem entender que tudo e possível de ser feito. Quanto a discos para passar longe…por favor, NUNCA OUÇA FOO FIGHTERS!”

Com esse espírito rockeiro falastrão querendo confusão é que apresentamos o trabalho dos mineiros da Evil Matchers. Afinal de contas esse sempre foi o combustível do rock’n’roll. Aquele garoto teimoso, manhoso, raivoso e que tem problemas para se enturmar numa indústria que caça talentos e tenta moldar o comportamento do jovem desde seus primeiros conflitos e confusões que acontecem durante a adolescência.

Talvez o rock esteja num período em que ele tenha saído dos holofotes da massa, sim. Não é mais aquele produto pop vendável e não existe um elo forte para aproximar o público de suas perigosas e revolucionárias garras. Que volta para o underground mas que de vez em quando, se soubermos procurar: brilha nos porões do mundo inteiro.

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Evil Matchers durante apresentação em Belo Horizonte. Foto Por: Hoccus Photos

Site Oficial
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