O #ImpeachmentDay: O discurso de ódio e a intolerância

Em tempos em que é quase impossível ficar passivo a tanta coisa errada. Nós que lidamos diariamente com cultura nos vemos obrigados a não compactuar com manobras esquizofrênicas cheias de intenções duvidosas: vindas dos políticos deste país.

Temos críticas ao governo Dilma? Pode ter certeza que sim.

Como tivemos a todos governos que o antecederam. Porém para fazer o que estão fazendo precisam não ferir a constituição e ter provas contra ela.

Apenas queremos manifestar nossa indignação pois queremos SIM um futuro melhor para nosso país. Um ~simples~ cenário de impeachment já seria terrível, mas temos curta memória mesmo.

Agora da maneira com que as coisas estão sendo feitas: Há que TEMER mesmo. Nos preocupar com a integridade e o destino desse país. Então pensem bem de quem vocês estão do lado para que possam dormir de cabeça tranquila.

blogs

Nos últimos dias também soube de uma baita iniciativa liderada por um coletivo de jornalistas, blogueiros, músicos, selos e estúdios contra esse atentado a nossa democracia. Principalmente da maneira em que as coisas tem sido feitas, na base da força da ira e do ódio sem freios.

O projeto Blogs, Selos e Artistas Contra O Golpe tem a proposta de servir de púlpito a todos nós que de alguma forma contribuímos com a cultura nesse país que está na U.T.I. respirando por aparelhos.

Mediante a baixaria que tivemos que presenciar na tela da TV na tarde de ontem, me senti obrigado a me manifestar publicamente sobre o circo de horrores que presenciei. Senti ódio. Me subiu um sentimento de repulsa, indignação e de impunidade.

O dia que vai entrar na história como #ImpeachmentDay fede a enxofre como algum deputado do PSOL citou. De uma sociedade patriarcal lotada de preconceitos, ódio e ignorância. Vou citar os INOCENTES para resumir meus sentimentos:

“Pátria amada, idolatrada, salve salve-se quem puder” canção de 1986 mas tão atual como a vontade de dar uma cusparada naquele ser que não ouso dar espaço neste blog.

como

Não postei esses dados aqui para apoiar pelo SIM ou pelo NÃO.

Ontem presenciei muito ódio naquela câmera, ódio de gênero, ódio por opção sexual, ódio em nome de religião, ódio em formato de apoio a torturadores, ódio em nome da família tradicional brasileira entre outros.

Ódio que para muitos pode ser “normal” ou enraizado mas que para mim será sempre um ABSURDO sem fim e não é o tipo de discurso que quero que ganhe fôlego em meu país. Eu acordei hoje realmente chateado e cabisbaixo lembrando de todos chorumes que tive que ouvir. E depois ainda tive que OUVIR FOGOS ensurdecedores aplaudindo esse tipo de discurso de ódio.

Num país sério no mínimo uns 10 iriam direto para o camburão depois de falar aquelas atrocidades. Alimentaram uma sociedade que a cada dia é mais opressora pelas minorias e que tem ódio do “diferente”, do pensante e da liberdade (que eles tanto usaram em seus discursos naquele “púlpito”).

Enfim, postei essa foto para que ficasse claro o perfil daqueles homens que falaram atrocidades, que quando uma mulher subia era chamada de “gostosa” ou de “Puta”, que não respeitava o limite de tempo ou uma opinião diferente: que transformou tudo em carnaval.

Eu achei triste para caralho, a forma que tudo rolou. E muitos rindo como se aquilo fosse entretenimento. Foi um show de horrores, um festival de valores invertidos e ignorância. A câmera se tornou um verdadeiro picadeiro e os palhaços foram o nosso maior pesadelo. Munidos de raiva, calibrados de preconceitos e fardados com ódio.

Eu tenho medo dos próximos capítulos de nossa história e eles cheiram ao podre do enxofre, que descerá pelos mais submersos encanamentos deste país.

Mais medo ainda eu tenho da herança que movimentos como esses e o fortalecimento do discurso de ódio fará a próxima geração. Que hoje é criança e já apoia esse tipo de discurso sem ter a malícia de ver tudo que está por trás.

Tempos difíceis para viver em uma democracia. A democracia sangra, feito uma artéria aorta rasgando ao se deparar com o veneno de cobras e lagartos. Aquele momento que aquela já ultrapassada há décadas constituição: é dilacerada.

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