Slutface e o pop rock que merece tocar nas rádios

Em um mundo onde nas AM/FM’s dos elevadô (sic) temos que aturar um monte de bandas ruins e que não passam mensagem alguma. Porém de vez em quando aparecem algumas bandas no dial que você apenas quer saber mais.

É o caso das meninas do HAIM que lançaram um dos discos mais elogiados do ano passado (mesmo tendo sido lançado no fim de 2013). Além de fazerem um som catchy e bastante pop, elas assim como a Grimes costumam se envolver em causas políticas e ideológicas.

E esse não é um movimento isolado e não vem de hoje: a semente plantada nos anos 70 pelas riot girls do punk como Joan Jett e Kathleen Hanna, foi se transformando com bandas Garbage/Hole e ganhando espaço em um processo bastante lento.

O sexismo é um problema enfrentado todos os dias (por todas as mulheres – mas como este blog é focado em música não vou me alongar tanto) por bandas com garotas e acreditem: por todos os lados. Seja desmerecendo bandas com integrantes mulheres, dando menos espaço em line-ups de shows/festivais e isso começa com atitudes ridículas como este relato da Deborah Babilônia, do grupo Deb And The Mentals:

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Tanto que a banda HAIM – citada logo no começo do texto – recentemente propôs que fosse criado um festival com seu line-up contendo APENAS artistas mulheres em protesto a toda essa cultura machista que contempla a cultura pop, onde mulheres são analisada antes por sua aparência física do que por seu talento.

“Nós falamos sobre isso o tempo todo, sobre como não existem bandas e artistas suficientes representando as mulheres nos festivais. Você não vê isso, o que é muito triste pra nós. Aí pensamos, por que a gente não recria um festival que seja só de minas. Não que nós não amemos os caras. Ame os homens” – brincou Este HAIM

E essa ideia já existiu. O Lilith Fair, foi um festival itinerante que passou pelos Estados Unidos e Canadá entre 1997 e 1999 e teve ainda uma última edição em 2010. Nos dois primeiros anos, o evento contou com mais de 100 datas em dezenas de cidades trazendo shows como os de Erykah Badu, Lauryn Hill, The Pretenders, Tegan and Sara e Fiona Apple. Em 2010, Cat Power, Gossip, Marina and the Diamonds e Janelle Monae foram algumas das artistas que tocaram no festival. (Via Revista Noize)

Um outro festival bem lembrado pela Anna Helena da rádio Brasil 2000 é o Burguer-A-Go-GO (Organizado pelo pessoal da Burguer Records), que em Setembro deste ano realizou sua segunda edição com um line-up de dar inveja a qualquer festival.

burguer

Vemos artistas que estão a quase 10 anos emplacando hits atrás de hits mostrando esse lado ativista através muitas vezes de metáforas para situações do dia a dia como é o caso de Florence Welch (Florence & The Machine), Marina And The Diamonds e Joy Formidable – e acredite os três conjuntos não estão por mero acaso escalados para o line-up do Lollapalooza 2016.

A luta pelo espaço da mulher, talvez nunca esteja tão em pauta nos últimos anos. Apenas vemos como campanhas feministas nos últimos meses tem se tornado motivos de discussão na internet e nas ruas.

Como coletivos e sites especializados tem ganhando o centro de discussão, como o caso do Lugar de Mulher. E tudo isso é maravilhoso e merece a cada dia plantar sementes e quem sabe ao longo do tempo melhorar uma sociedade que ainda possuí muitos pensamentos atrasados.

Mas como disse, é bom ver todas essas mulheres ganhando espaço em todas as plataformas possíveis para que sejam cada vez mais ouvidas e melhoremos de pouco em pouco uma sociedade podre em sua essência.

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Nos últimos dias conheci o trabalho de uma banda com um nome um quanto provocador: Slutface. Fiquei curioso e fui logo ouvir uma versão acústica que tinha acabado de sair no Gigwise.

A banda norueguesa esteve nos últimos tempos realizando uma tour pela américa do norte e durante a estadia em solo americano, o grupo gravou essa session.

Quando questionada sobre a origem do nome da banda a vocalista não pestenejou em dizer:

“Queremos que você pense sobre a sexualidade feminina e o que significa ser uma “Slut” (Puta em inglês) na maneira que sexualizam a imagem da mulher tanto no mundo da música quanto na cultura popular….Nós realmente não somos babacas, apenas queremos que você PENSE mais sobre as mulheres do que você costuma pensar.” Halley Shea – Slutface / Novembro – 2015

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A banda surgiu na gelada Noruega em 2012 com a proposta simples de tocar pop rock. O grupo estabelecido em Stavanger (Noruega) é formado por Haley Shea (Vocalista), Lasse Lokøy (Baixo), Halvard Skeie Wiencke (Bateria) e  Tor-Arne Vikingstad (Guitarra).

Porém foi em 2015 que o grupo começou a ganhar destaque em nos principais meios de comunicação como Consequence Of Sound, Kerrang e DIY.

Aliás em entrevista para o Consequence Of Sound no último mês Halley Shea afirmou:

“Mulheres merecem mais espaço do que damos, e nós vamos tomar isso de assalto” Halley Shea, Outubro – 2015 para o portal Consequence Of Sound

Os elementos sonoros do grupo misturam rock alternativo com Punk Rock, elementos simples acordes com o adendo de vocais doces e pops. Mas a mensagem forte, positiva e equalitária por direitos se sobrepõe nas letras e na maneira que Halley canta.

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Se você amou o retorno do Sleater-Kinney e se amarra na atitude de grupos como Blood Red Shoes, Slutface certamente será a banda que estará nas suas playlists de fim de ano.

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