Dirty Fingernails e o universo caótico do Punk’n’Roll Made In Hellcife

Na semana passada fui tomado de assalto por uma banda. Que não precisou muito mais de três sons para eu falar: é isso.


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O som do Dirty Fingernails te remete a toda uma geração de bandas vindo de encontro com outra. A indolência do proto punk se choca com o glamour do glam rock e passeia pelo garege dos anos 60. Eles mesmo se definem como banda de rock’n’roll com influências dos 60s, 70s, 80s.


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E no Brasil temos bandas de alto nível que imprimem essa linha de som como o The Velociraptors, o Forgotten Boys e o finado Veronica Kills. O som é uma viagem e o mar de influências é muito mais denso do que parece, o grupo em algumas canções conta com um saxofone, o que te remete ao New York Dolls. O vocal rasgado de algumas faixas faz até Johnny Thunders levantar da tumba.

Em outras faixas podemos ver o powerpop de grupos como The Real Kids e The Exploding Heats – queridinha por aqui. Uma influência bastante gritante é a dos Dead Boys mas a banda não se limita a beber somente de uma fonte. Parecem dominar o 77 e suas raízes, mesclar com solos de guitarra bem rock’n’roll dos 70s e 80s e te deixam atordoado ao fim de cada som.

O mais legal de tudo é que o quarteto formado por Fred Sárin (Vocais/Guitarra), Ítalo Cirne (Vocais/Guitarra), David Nat (Vocais/Baixo), Thiago Gadelha (Vocais/Bateria) é de Recife, Pernambuco. E uma a cada três bandas que tenho visto fazendo um trabalho diferente e digno de ser destacado está vindo diretamente do nordeste. Fato que vale ressaltar pois trás consigo uma boa leva de bandas.



O EP lançado no começo do mês, foi produzido, remixado e masterizado por Thiago Gadelha – que também canta, é baterista e toca Congas no álbum, Ufa! e gravado no Toca do Lobo Estúdio, em Recife.

Em algumas faixas você percebe Eddie And The Hot Rods, MC5, T. Rex, Black Flag, The Damned, The Clash (em seu primeiro disco) e outras referências te levam para um universo obscuro do punk carregando bastante distorção e gravação com a intenção de soar como se o material fosse gravado na época.

Em “The Criminals Are Coming”, Heleno Melo toca sax e nos trás a atmosfera propícia das experimentações comuns na época, que bandas como Hanoi Rocks faziam com perfeição.



Em janeiro a banda lançou seu primeiro EP, Dirty fingernails. Este que carrega ainda outras referências como a primeira leva do punk inglês, com bandas como Chelsea e Buzzcocks – misturando com o som nova iorquino de Johnny Thunders e Richard Hell.


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O powerpop também ganha espaço com riffs chicletudos alá The Boys, The Exploding Hearts e The Briefs. Principalmente na faixa “Too Late To Cry”, tem toda aquela pegada de choro escorrido pela amada. Em outras faixas o pianinho anos 50 ganha espaço e faz o grupo viajar em um mar de influências. Neste EP, o multi-instrumentista Thiago Gadelha se aventura também nos teclados.

Recentemente a banda se apresentou no aclamado Festival doSol, realizado no último fim de semana em Recife, PE. E fica um apelo: Venham para São Paulo logo!


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A boemia e a vibração te transportam para outrora, onde bandas como Dirty Fingernails eram vistas como ultrajantes e underdogs na sociedade. Tempos em que shows eram desculpas para pagar as cervejas e arranjar uma confusão de quebra. Uma atmosfera caótica, e do caos sempre nasceu: a criatividade.


dddd

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