Vinil e a contramão da indústria fonográfica

Em tempos em que a tecnologia parece mais um jogo de gato e rato somos surpreendidos dia-a-dia com o comportamento da sociedade. Nos últimos dias foi anunciado que no próximo sábado (10), será lançado uma espécie de Spotify pirata ou Popcorn Time dedicado a música chamado: Aurousapp.


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Na contramão, podemos ver um crescimento de 54% no último ano nas vendas dos bolachudos discos de vinil nos EUA (dados da Nielsen), enquanto os downloads e a venda de CD vivem um momento de queda livre. Tentando acompanhar a onda tecnológica, em janeiro, uma start-up decidiu tentar unir o passado com o serviço de streaming do presente e criou o Vnyl.

O serviço basicamente atua como um Netflix para discos de vinil. Com uma pequena diferença em sua funcionalidade, ao invés de você selecionar o disco em um menú A La Carte diretamente ao que você está disposto a ouvir no momento, você escolhe pela “vibe”.

O processo indireto acaba se tornando a parte mais divertida do serviço. Por exemplo, você digita #DiaChuvoso, #NetflixAndChill ou #ChurrascoComOsAmigos e automaticamente, após analisar seu perfil e gosto musical, te enviam um pacote de vinis para ouvir. Ou seja, de quebra você acaba descobrindo vários artistas e bandas de diferentes gêneros que batem com seu estado de espírito naquele momento.


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Assim que você termina de ouvir, você tem a opção de enviar os discos recebidos de volta, e se realmente tiver gostado de algum disco específico que recebeu você pode adquirir ele pela bagatela de 22 dólares. Ou seja, você aumenta sua prateleira de vinis com discos escolhidos por uma equipe que vai analisar delicadamente seus gostos e estilo de vida. Tudo isso parece bastante maluco, porém em um mundo onde tudo vira nicho, não podemos esperar menos.


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Para quem presta a atenção em trilhas sonoras de filmes: sabe que Martin Scorsese é um apaixonado por música. Suas trilhas sempre são repletas de músicas ultrajantes, outras mais calmas mas sempre encaixando perfeitamente ao timing do filme que ele esteja trabalhando. Em seu último filme que concorreu ao Oscar – e que você deve ter cansado de ver em algum Telecine da vida – O Lobo de Wall Street isso fica bem claro.

Conforme o personagem – interpretado por Leonardo Di Caprio – vai conquistando seu espaço e ascendendo a trilha tem uma levada de glória e luxúria, já em sua queda, a trilha é auto-destrutiva, punk, suja, e transmite com perfeição esta atmosfera.

Eis que no último ano Scorsese e Mick Jagger – que dispensa apresentações – juntaram forças para produzir uma nova série que no ano que vem tem sua estreia marcada no HBO: Vinyl.

A série contará com 10 episódios e no elenco contará com atores do calibre de: Bobby Cannavale, Olivia Wilde e Ray Romano. Vinyl, conta a história de Richie Finestra (Cannavale), que tenta dar um novo fôlego a sua editora fonográfica, American Century Records em uma época confusa em sua vida em que ele não vai bem nos negócios e vive em crise de relacionamento com sua mulher, Devon (Olivia Wilde).

Por trás deste drama, Vinyl mostra os bastidores da música punk e disco da Nova Iorque dos anos 70.



Mas como vinil, tecnologia e nostalgia tem tudo a ver, prossigamos.

Um dos destaques deste ano no festival SXSW, foi o documentário All Things Must Pass. Dirigido por Colin Hanks, ele busca contar a história da Tower Records (1960-2006), uma clássica rede de lojas de discos que em 2006 teve sua falência decretada. A história da rede é usada como plano de fundo para contar a história do crescimento e colapso da indústria da música de varejo.

O documentário tenta mostrar todo apelo emocional atrelado as lembranças da intimidade dos fetichistas por discos, e busca retratar isso através de entrevistas com fãs que passaram 30/40 anos frequentando as lojas compulsivamente. Sem deixar de lado claro, estrelas da música e fãs confessos da rede como Elton John e Bruce Springsteen.

Nostalgia tanta que nenhum detalhe é deixado de lado, inclusive os desvaneios e loucuras de seu fundador Russ Solomon são retratados. Os quais permitem aguçar o sentimento de um tempo que não volta mais.


Russ Solomon na década de 80, tempos em que sua rede de lojas vivia seu auge comercial
Russ Solomon na década de 80, tempos em que sua rede de lojas vivia seu auge comercial


Podemos concluir que o vinil está longe de estar morto. Vivemos em um mundo onde tudo se transforma e na tecnologia temos um mundo de oportunidades. Por outro lado o comportamento do consumidor deve ser observado, qualquer tendência do passado pode a qualquer momento ser revisitada e adaptada para uma nova geração.

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