Swans e o “melhor disco do ano”

Álbum foi lançado no dia 12 de Maio via
Álbum foi lançado no dia 12 de Maio via “Young God, Mute” e foi produzido pelo vocalista Michael Gira

O disco do Swans talvez seja um dos mais esperados do ano e por conta disso já te deixa com uma pulga atrás da orelha. Sim, pois muitas vezes você cria uma expectativa absurda e não é lá essas coisas.

Mas ”To Be Kind” é exatamente o caso de barulho com justificativa á altura. Os caras são veteranos do rock experimental e nunca lançaram NADA de mal gosto, discografia impecável.

Em apenas duas músicas, isso mesmo que você acabou de ler 2 fuckin MÚSICAS, eles conseguem mostrar influências de gente do mais alto escalão e respeito da música mundial.

Ao menos escutando eles conseguiram juntar: Nick Cave, Bauhaus, Iggy Pop, Sonic Youth, Tom Waits, rock industrial e me fizeram lembrar um pouco do mágico e todo alternativo disco de Lou Reed, ”Metal Machine Music” (1975).

É tanta mistura que seu cérebro começa a derreter, saxophones atingem seu tímpano em uma viagem intergalática em A Little God In Hands, algo já característico e visto no álbum anterior,  The Seer.

Mas o disco vem pra perturbar com músicas longas como Bring The Sun / Toussaint L’Ouverture, o grupo busca torturar o ouvinte e convidar ele para o mundo mágico do Swans. Pesado, denso, emocional e com o melhor do post-rock. Nesta faixa rola até um canto gregoriano na maior tiração de sarro.

De deixar qualquer Shoegazer na fila da loja de discos subindo pelas paredes. Falando em shoegaze, rolou um projeto no Kickstarter recentemente para juntar fundos para o documentário sobre o estilo chamado: ”Beautiful Noise”.

A minha dica para quem curtir o Swans é dar uma ouvida na discografia da banda setentista inglesa, Swell Maps. Pois é uma viagem sem volta.

Post-punk de bandas como Neu!, Jazz e blues também compõe as influências deste rock experimental sem fronteiras.

Os shows dos caras costumam ser tão barulhentos que não é algo tão incomum vir a polícia parar o evento. Gira ainda custuma judiar de seus fãs: pisa nos dedos de quem se atreve a se debruçar no palco, puxa os cabelos dos fãs e desce do palco para encher de porrada quem ousar fazer ”headbanging” na platéia.

Algo curioso é que Gira tem uma preocupação extrema com o ambiente de seus shows: ele costuma pedir pras casas de shows desligarem o ar-condicionado antes de suas apresentações para passar a sensação climática similar a experiência de adentrar uma sauna.

Sons de cavalo emendam guitarradas lisérgicas e só demonstram o porque caras como: J Mascis e Thurston Moore veneram a banda.

Tem espaço para baladas melancólicas com artifício de violinos dignos de orquestra. Com direito a letras debochando sobre o estilo de vida da sociedade comtemporânea. O disco é um open bar de boa música e irreverência.

Em She Loves You‘ é perceptível as influências da música tribal. Algo típico das canções do velho oriente e presente na música indiana, tudo isso claro, mesclado com muita distorção, post-punk e pianos. Na epopéia de 17 minutos a música tem várias transições abraçando uma porção de estilos e o vocal no melhor estilo Iggy Pop.

O sombrio do Bauhaus está presente na faixa Kirsten Supine, o que remete ao Sonic Youth também no fato de estar acompanhado de uma mulher nos vocais da canção. A música possuí toda uma atmosfera introspectiva e cresce a cada ouvida. Elementos como sinos e triângulos estão presentes nesta canção.

Oxygen já começa no melhor estilo Minuteman com jazz funkeado misturado com post punk e vocais cheios de efeitos e berros, coisa bonita de se ver. Uma das mais intensas e transgressoras do disco, a catarse acontece quando entram os sopros no melhor estilo: fuga dos elefantes do zoológico e soam como uma serra decepando corpos em série.

A canção Nathalie Neal mais uma vez remete a cultura do oriente e seu som típico e marcante. A começar com a introdução digna de culto hare krishna, seguida de um discurso. A atmosfera que a música passa é de como se estivéssemos todos juntos atravessando um deserto árido e hostil.

To Be Kind é uma canção cheia de lembranças emocionais e densas. Consigo até imaginar o pessoal do Explosions In The Sky fazendo reverências ao ouvir. A música tem todo aquele clima de despedida e cresce progressivamente, atordoando e ensurdecendo o ouvinte.

Em conversa informal com um “gringo em uma rede social de downloads sobre o disco, antes mesmo de eu ter escutado, ele me disse (com direito a caps lock e tudo mais): MELHOR ÁLBUM QUE OUVI NO ANO, NA DÉCADA E POSSIVELMENTE NOS ÚLTIMOS 15 ANOS”. Com uma provocação dessas eu não poderia deixar de ouvir o álbum.

O disco cresce a cada ouvida e se você leu até aqui: Parabéns. Agora caso não tenha dado a devida atenção ao “discão”: tome vergonha na cara e aceite o convite para adentrar no mundo mágico e encantado do Swans.


Paródia feita com a Chloe, ela que virou meme de internet após um vídeo com sua irmãzinha.
Paródia da arte da capa do disco feita com a Chloe. Ela que virou meme na internet após um vídeo com sua irmãzinha.
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